Entrevistas – nº 24: Graziela Meister fala do cultivo de orquídeas em Portugal

Graziela, junto às orquídeas, no cantinho mais aconchegante de sua casa no Porto.
Graziela, junto às orquídeas, no cantinho mais aconchegante de sua casa no Porto.

A presidente da Associação Portuguesa de Orquidofilia (APO), Graziela Meister, conversou, na cidade do Porto, com o diretor de comunicação da ACEO, jornalista Italo Gurgel. Na entrevista, ela fala de sua paixão pelas orquídeas, que cultiva há mais de 45 anos.

Italo Gurgel – O que a levou a cultivar orquídeas? Quando isto aconteceu?

Graziela Meister – O que me levou a cultivar orquídeas foi sua beleza e formas singulares, que as distinguem de todas as outras plantas. Há 45 anos, encontravam-se muito poucas orquídeas em Portugal e isso também foi um desafio para mim. Tudo começou mais ou menos em 1967, quando costumava ir a um grande horto do Porto, que se chamava Moreira da Silva, e onde encontrei as primeiras orquídeas à venda. Nessa altura, só se vendia Paphiopedilum e Cattleya.

IG – Lembra-se de sua primeira orquídea? Ela ainda está com você?

GM – Sinceramente, não me lembro de minha primeira oruídea. Sei que era um Paphiopedilum, mas não sei a sua espécie. As orquídeas não vinham referenciadas e não havia os meios que hoje temos para as qualificar. Já não a tenho, nem me lembro o que lhe aconteceu. Vivi durante dez anos num apartamento e, quando mudei para a casa onde vivo hoje, já tinha construído nela duas estufas, uma temperada e outra quente. Na temperada, tinha muitos gêneros de plantas e as orquídeas coloquei-as todas na estufa quente, que era mesmo quente, sem os meios necessários para as orquídeas se sentirem confortáveis, daí perdi um grande número delas. A informação sobre orquídeas era mínima, só comecei a tê-la depois de comprar alguns livros da especia-lidade no estrangeiro.

IG – Quantas orquídeas você cultiva atualmente e onde estão elas?

Laelias e Cattleyas estão entre suas orquídeas preferidas.
Laelias e Cattleyas estão entre suas orquídeas preferidas.

GM – Atualmente, cultivo mais de 1.000 orquídeas, espalhadas por todo o jardim, numa estufa fria e numa espécie de jardim de inverno, que chamo de estufa quente. A maior parte das orquídeas em flor coloco-as num canto da sala envidraçada, para as poder admirar.

IG – Quanto tempo você dedica, diariamente, a suas plantas?

GM – Não estou muito tempo com as minhas orquídeas, ou pelo menos o tempo que eu desejaria estar. Na média, estou uma hora por dia, tendo o cuidado de ir verificando se têm alguma doença, para as tratar logo no início. Em alguns fins de semana ou quando não preciso dar aulas, aproveito para cuidar delas com mais minúcia.

IG – Quais são os gêneros/espécies (ou híbridos) de sua preferência?

GM – Todas as Cattleyas são para mim a rainha das orquídeas, mas aprecio muito a Laelia purpurata e os Lycastes.

IG – Hoje, quais os critérios que você observa quando vai adquirir uma nova planta?

GM – Ao adquirir novas orquídeas, dou especial atenção à temperatura que elas exigem e escolho principalmente as orquídeas oriundas de um habitat temperado.

IG – O que você faz para cultivar orquídeas tropicais no Porto, levando em conta as condições climáticas?

GM – Como vivo perto do mar, não tenho grande problema com as temperaturas baixas ou geadas. Geadas, não tenho mesmo. A zona onde vivo é uma grande estufa temperada. Todas as orquídeas que exigem mais calor, cultivo-as na estufa quente.

IG – O cultivo de orquídeas tem-se popularizado em Portugal?

Flores e presépios - duas paixões de Graziela Meister.
Flores e presépios – duas paixões de Graziela Meister.

GM – Com o decorrer dos anos, e especialmente com o trabalho que a Associação Portuguesa de Orquidofilia tem tido em levar ao público o ensinamento do cultivo de orquídeas, os hortos portugueses têm muito mais orquídeas à venda do que, por exemplo, seis anos atrás. Vamos, em 2015, realizar a 6ª Exposição/Venda Internacional de Orquídeas do Porto. Durante o ano, fazemos pequenas exposições nacionais, conforme os convites que recebemos, mas na primavera e outono estamos sempre presentes nas festas do Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa. Estamos a organizar a 1ª Exposição/Venda para o próximo outubro, em Lisboa, com a intenção de passarmos a fazer uma exposição internacional também naquela cidade.

IG – As orquídeas nativas de Portugal sofrem alguma ameaça em seu ambiente natural?

GM – As orquídeas nativas não correm muitos perigos. Há em Portugal uma associação de orquídeas silvestres, que se dedica só a esse tipo de orquídeas.

Cearenses inspiram reportagens de “Como Cultivar Orquídeas”

CCO - Capa da edição nº 67
CCO – Capa da edição nº 67

A revista “Como Cultivar Orquídeas”, da editora Casa Dois, com ampla circulação em todo o País, publicou, em edições recentes, duas reportagens enfocando cultivadores cearenses: Italo Gurgel e Thomaz Sidrim. O primeiro é diretor de Comunicação da Associação Cearense de Orquidófilos-ACEO e o segundo, membro do Conselho Fiscal e Deliberativo da mesma entidade.

CCO - Capa da edição nª 69
CCO – Capa da edição nª 69

As duas matérias se inserem no espaço editorial que a revista batizou de “História” e que transcreve entrevistas com cultivadores de orquídeas. Flagrados em seus orquidários, esses cultivadores contam a sua história pessoal com aquelas flores, enquanto são apresentados em suas preferências e métodos de cultivo.

Italo: Paixão à primeira orquídea
Italo: Paixão à primeira orquídea

Italo Gurgel, professor e jornalista, fala de sua atuação na ACEO, associação que ajudou a reestruturar, em 2007, e que presidiu em duas gestões. Autor de uma “Cartilha de Cultivo de Orquídeas”, que é entregue a cada novo membro da ACEO, Italo revela que seu esforço tem sido no sentido de melhorar a qualidade das coleções de orquídeas no Ceará, especialmente no que diz respeito à Cattleya labiata, espécie que ocorre nesse Estado e que hoje é considerada em extinção em seu ambiente natural.

Edição nº 67 - Pág. 11
Edição nº 67 – Pág. 11

Ao lado da esposa, Tereza – que com ele partilha o interesse pelas orquídeas –, Italo contou como se iniciou na orquidofilia e como desenvolveu sua coleção, dividida atualmente entre dois pequenos orquidários, que totalizam 800 vasos.

Thomaz: amor definitivo
Thomaz: amor definitivo

THOMAZ SIDRIM – Sob o título “Amor definitivo”, a entrevista com o engenheiro civil Thomaz Sidrim revela, inicialmente, como ele se apaixonou pelas orquídeas, ao visitar uma exposição promovida pela ACEO nos jardins da Reitoria da Universidade Federal do Ceará. Logo depois, ele se filiou à Associação, para onde também levou a esposa, Tânia. Após a aquisição das primeiras plantas, o interesse de Thomaz só fez crescer. Diz ele: “Tenho estas plantas como um hobby bastante especial. A preocupação com o bem-estar delas me move todos os dias. Procuro adquirir novos exemplares em orquidários conceituados e responsáveis ambientalmente.”

Edição nº 69 - Pág. 11
Edição nº 69 – Pág. 11

Thomaz, que é especialista em irrigação, mora a apenas 300 metros da praia. Diante dos problemas que esta condição pode trazer, ele informa como mantém sua coleção: “irrigação todos os dias com sistema automático e lavagem das telas de sombreamento para retirada dos sais de dois em dois meses”.

A reportagem com Italo Gurgel traz texto de Vanessa Barcellini e fotos de Gui Morelli. A segunda matéria é assinada por Paula Andrade e as fotos, novamente, por G. Morelli.

“Como Cultivar Orquídeas” tem conteúdo bastante variado. Além da “História” de amantes das orquídeas, ela inclui: “Notas orquidófilas”, com informações sobre exposições e outros eventos; relação das espécies que florescem no bimestre; cartas dos leitores, com os respectivos comentários; reportagens diversas sobre técnicas de cultivo; matérias que enfocam determinados gêneros ou espécies; dicas e curiosidades; cobertura das grandes exposições; “Guia de orquídeas”, onde apresenta uma pequena ficha sobre as mais variadas espécies; agenda de contatos com empresas e profissionais da orquidofilia; e uma crônica, na última página, confiada, em cada edição, a um cultivador diferente. Cabe ainda lembrar que os anúncios veiculados pela revista são do maior interesse dos cultivadores.

  • Visite o site da Editora: www.casadois.com.br
  • Interessados em assinar “Como Cultivar Orquídeas” podem entrar em contato com a revista pelo endereço: [email protected]

Entrevistas – nº 23: Luiz Filipe Varella entre os livros e as orquídeas

JARDIM DOS EPIDENDRUM – Luiz Filipe tem uma relação muito especial com esse habitat de Epidendrum fulgens (foto). Fica a meio quilômetro de sua casa de praia, em Capão da Canoa, no litoral norte do Rio Grande do Sul. A casa foi adquirida em 2006 e, desde então, ele tem passado mais tempo na restinga dos Epidendrum do que na areia da praia. É o que ele chama de “Jardim dos Epidendrum” e que deu título a seu artigo publicado na revista “Como cultivar orquídeas”.

Luiz Filipe Varella

Luiz Filipe Klein Varella, Vice-Presidente do Círculo Gaúcho de Orquidófilos-CGO, nasceu em Porto Alegre, em 1967. É advogado, casado com Sílvia, pai de Luiz Filipe Júnior e Augusto Manoel. É um dos fundadores do grupo de discussão Microorquídeas, criado em 2006, além de moderador do grupo Mundo das Bromélias. O “Boletim ACEO” publicou e, aqui, nós transcrevemos a conversa entre Luiz Filipe e a presidente da Associação Cearense de Orquidófilos, Vera Lúcia Matos Coelho:

Vera Lúcia Matos Coelho – Como você concilia a profissão de advogado, escritor, e o hobby com bromélias e orquídeas?

Luiz Filipe Klein Varella – A família e a profissão estão acima de tudo. Mesmo o ofício da literatura está alguns degraus abaixo, porque não sou efetivamente um escritor ativo. Lancei dois livros de contos e futuramente pretendo lançar um terceiro e, eventualmente, outros livros, mas o futuro é sempre incerto, e se lançar um terceiro livro não sei, por exemplo, se lançarei um quarto livro. Gosto de escrever e reescrever meus textos (muita gente já disse que enquanto o texto não está publicado ainda não está terminado, e isto é uma grande verdade, assim como também é verdade o fato de que, depois de publicado, o texto não é mais nosso, mas do leitor). Gosto de escrevê-los e deixar numa gaveta para reler dali a um tempo. É como se fosse um texto de outro autor, e ficam evidentes problemas que assim podem ser resolvidos pelo próprio autor. Mas daí a publicá-los vai uma grande distância.

Quanto a conciliar a profissão de advogado com o cultivo de orquídeas e bromélias, é uma questão de adequação e rigidez de horários. Se não houver uma organização do dia a dia, vai naufragar tudo junto em uma grande catástrofe pessoal – profissão e hobby, e provavelmente respingando na família também. Assim, há que respeitar horários para as plantas e horários para a profissão, e os horários desta poderão reduzir os horários daquelas sem dó nem piedade. Felizmente, sou profissional liberal e, tendo meu próprio escritório ,tenho liberdade para mexer com meus horários numa forma que não teria se tivesse que bater ponto numa repartição ou num banco. Mas, por outro lado, isso aumenta muito minha responsabilidade pessoal e, além disso, sabemos que o estresse é inerente à profissão de advogado e é constante (especialmente depois do surgimento do telefone celular e do e-mail: a advocacia – e de resto a mior parte das profissões – tem um absoluto divisor de águas entre “antes do celular e da internet” e “depois do celular e da internet”.

Outra coisa boa é que minhas plantas estão em minha casa, o que me mantém sempre muito próximo delas. Conheço muitos amigos que têm suas orquídeas em sítios, ou moram em apartamento e cultivam-nas no orquidário de alguém, ou na casa da mãe, ou sei lá mais onde. Admiro muito quem consegue cultivar suas plantas assim, porque eu não consigo.

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Entrevistas – nº 21: Delfina de Araújo: de aprendiz a mestre na escola das orquídeas

Delfina e Sérgio visitaram Fortaleza em novembro de 2009, quando participaram do 3º FestOrquídeas.

Ela já fez música eletroacústica e trabalhou como secretária trilíngue. Hoje é sócia-gerente do estúdio fotográfico do marido, Sérgio Araújo, e conduz uma livraria virtual especializada em lívros sobre orquídeas. Estas, de fato, são sua grande paixão. Delfina de Araújo é responsável, ao lado de Sérgio, pelo site mais premiado do Brasil nesse segmento (www.delfinadearaujo.com) e, também em parceria com o marido, é autora do livro “Orquídeas Brasileiras – Espécies e Híbridos”, um clássico.

Aqui, Delfina conversa com o editor do Boletim ACEO, jornalista Italo Gurgel, sobre seu trabalho, seu devotamento às orquídeas, seus planos:

ACEO – Sua infância foi no interior de Minas Gerais, a juventude no Rio e na França. Em que fase de sua vida você incorporou o amor pelas orquídeas?

Delfina de Araújo – Sempre gostei muito de plantas. Desde que me entendo por gente, estou às voltas com cuidar de vasos e jardins. Meu pai tinha um jardim grande, com muitas rosas, mas não cultivava orquídeas. Eu poderia dizer que meu interesse apareceu quando eu estava quase entrando na 3a idade. De repente, comecei a reparar mais nestas plantas e tentar cultivá-las. Minhas primeiras orquídeas foram presentes de minha mãe e foram plantas em vasos enormes, com pó de xaxim. Inútil dizer que nenhuma sobreviveu.

O golpe final foi em razão da dengue. Fui picada pelo mosquito, desenvolvi a doença e me vi obrigada a ficar de molho em casa, sem poder trabalhar. Numa tarde daquelas, estava assistindo um programa de debate e entrevista na antiga TVE e acabei tomando conhecimento da OrquidaRio, através de seu presidente na época, Hans Frank. Ele mostrou umas flores e falou da exposição que estava acontecendo na Universidade Gama Filho. Falou também de um curso que aconteceria no último dia daquele evento. Fiquei maluca e pedi a um funcionário para fazer minha inscrição, rezando para que a dengue acabasse para eu poder ir. Assisti ao curso e fui sorteada com uma Miltonia flavescens, que tenho até hoje e dela nasceram diversas outras plantas.

Naquela época, havia uma dificuldade muito grande de se adquirirem livros sobre cultivo adaptado ao nosso clima. Havia alguma literatura estrangeira sobre cultivo e, consequentemente, não estava de acordo com o nosso clima, mas não havia muita coisa sobre estas plantas em si. Assim, aquele pequeno curso foi muito importante para dar o início.

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Entrevista nº 20: Lou Menezes alerta para necessidade de se preservar o habitat das orquídeas

A engenheira florestal Lou Menezes, estudiosa das orquídeas brasileiras – as quais já descreveu em livros que circulam no mundo inteiro – deu entrevista exclusiva ao “Boletim ACEO”, falando do seu trabalho, da importância das orquidáceas em nosso país, do papel das associações orquidófilas e de outros temas que interessam a todos os que estão, de uma forma ou de outra, envolvidos com as orquídeas. Segue-se a transcrição da conversa:

Lou Menezes com o cantor Lenine, na 1ª Bienal de Orquídeas do Nordeste, no Recife.

 ACEO – Você está com algum novo livro em preparação?

Lou Menezes – Estou compilando um livro sobre a Cattleya nobilior, para ser publicado no primeiro semestre de 2014. Após meu recente livro sobre a Cattleya walkeriana, não poderia deixar de pesquisar a sua irmã gêmea, ou seja, a nobilior.   

ACEO – Como você avalia a importância da flora de orquídeas do Brasil?

LM – A importância da flora brasileira de orquídeas extrapola a compreensão do comum. Envolve a preservação dos habitats, especialmente o nicho ecológico das orquídeas, seus polinizadores, os usos industrial e medicinal, além da obtenção dos “royalties” para o País. Este último pobremente explorado, uma perda enorme, se comparado aos “royalties” obtidos pelos países asiáticos grandes produtores de orquídeas.

ACEO – Esse patrimônio corre riscos?

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Entrevista nº 19: Lindon Barros fala da ASSOPE e da 1ª Bienal de Orquídeas do Nordeste

Lindon Barros (à direita) com o cantor Lenine, patrono da Bienal.

Lindon José Teixeira Barros, analista de sistemas com especialização em gestão de projetos de software, é presidente da Associação Orquidófila de Pernambuco (ASSOPE), desde 2007. Entre 2005 e 2007, ocupou o cargo de diretor de Exposições e Eventos da entidade, na gestão do presidente Roberto Brito. Aqui, Lindon conversa com a presidente da ACEO, Vera Lúcia Matos Coelho, discorrendo sobre a ASSOPE e sobre a I Bienal de Orquídeas do Nordeste, que acontece, de 20 a 23 de outubro, no Recife.

Vera Coelho – Como você descobriu a ASSOPE?

Lindon Barros – Conheci a ASSOPE em uma de suas exposições, em março de 2004. Minha mãe havia assistido a uma reportagem exibida pela Globo sobre a exposição e me chamou para acompanhá-la. Somente conhecia como orquídea as Cattleya lilases e me encantei com a diversidade de cores, tamanhos e formas. Fiquei tanto tempo observando a exposição, que devo ter chamado a atenção de um associado, que me abordou e, em um breve batepapo, me ofereceu o curso de iniciação ao cultivo de orquídeas promovido pela Associação. Gostei da ideia e logo fiz a inscrição. Foi o “empurrãozinho” que faltava para entrar no mágico mundo da orquidofilia.

VC – Fale um pouco da ASSOPE, de sua história, e dos projetos atuais.

LB – A ASSOPE foi fundada, em 27 de junho de 1978, por um grupo de apaixonados por orquídeas e, inicialmente, fazia suas reuniões e exposições no Museu do Estado. Alguns anos mais tarde, depois de muita dedicação e esforço, conseguiu, junto à Prefeitura do Recife, um terreno onde foi erguida a nossa sede. Hoje a ASSOPE é considerada de utilidade pública municipal e estadual, contando com uma sede própria, com 900 m2 de área construída. Dispõe de biblioteca, auditório multimídia, loja de suprimentos, secretaria e salão de exposições. Funciona de segunda a sexta-feira, atendendo aos associados e ao grande público. Os primeiros anos do nosso trabalho à frente da Diretoria tiveram como foco principal a reaproximação de antigos associados, grandes orquidófilos e orquidólogos que, por motivos diversos, tinham se afastado da Associação. Também focamos na reestruturação e modernização da sede, a fim de proporcionar mais conforto e melhor atender ao associado. Começamos a promover exposições fora do Recife, levamos nossas orquídeas e nosso conhecimento para as cidades de Caruaru e Cabo de Santo Agostinho. Estreitamos os laços com as associações orquidófilos dos Estados vizinhos, como Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará, promovendo maior intercâmbio. O objetivo, em 2012, é construir um orquidário em nossa sede, somente com orquídeas pernambucanas, para que seja utilizado para estudo e divulgação de nossas espécies. Pretendemos estabelecer parcerias com órgãos públicos e empresas privadas, criando projetos de preservação, conscientização e educação ambiental.

VC – Recife sediará a I Bienal de Orquídeas do Nordeste. Quais as dificuldades e aspectos positivos na realização desse evento?

LB – Em outubro, realizaremos a I Bienal de Orquídeas do Nordeste e o I Workshop de Orquídeas de Pernambuco. Durante esses eventos, promoveremos palestras, cursos, oficinas de cultivo e mesas-redondas com renomados palestrantes. São eventos nunca antes vistos no Nordeste e que reunirão mais de mil colecionadores, distribuídos em 10 associações orquidófilas de sete estados nordestinos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Sergipe e Bahia). O público estimado é de 30 mil pessoas. O objetivo é fortalecer as relações entre os colecionadores, cultivadores e produtores de orquídeas e integrá-los com o público local e turístico, criar um intercâmbio técnico-científico relacionado ao cultivo de orquídeas, difundir tecnologias de produção de baixo impacto sobre os agroecossistemas e ampliar a qualidade da produção de orquídeas no Estado de Pernambuco. As maiores dificuldades encontradas para a realização de um evento desse porte são a alocação de recursos e a logística. Os preparativos já têm praticamente um ano. Estamos acostumados a realizar nossas exposições e mostras em nossa sede, mas a bienal exige uma estrutura bem maior. Optamos por fazê-la no Parque da Jaqueira, por ser um parque municipal, com boa estrutura e excelente localização. Também é preocupação nossa atrair o maior número possível de orquidófilos do Nordeste. Para isso, estamos trazendo cinco orquidários comerciais e convidamos orquidófilos, pesquisadores e autoridades das regiões Sul e Sudeste para proferir palestras, oficinas e cursos durante o workshop. A orquidofilia pernambucana e nordestina sempre foi um celeiro de grandes colecionadores e pesquisadores. Pernambuco tem hoje uma ASSOPE forte, renovada, moderna, consciente de suas responsabilidades sociais Tenho certeza de que a Bienal será um marco na orquidofilia brasileira.

Entrevistas – nº 18: Missão da ACEO é lapidar nova geração de orquidófilos, diz Italo Gurgel

Para Italo, defesa do meio ambiente também é missão das entidades orquidófilas.

Italo Gurgel é jornalista e professor universitário. A atualmente é coordenador de Comunicação Institucional da Universidade Federal do Ceará e preside a Academia Cearense da Língua Portuguesa. Orquidófilo há 11 anos, participou do pequeno grupo que reativou a ACEO, em 2006, e depois presidiu a entidade por dois períodos consecutivos. Na atual gestão, é 1º secretário e diretor de Comunicação. Conversando com a presidente Vera Lúcia Matos Coelho, ele fala do movimento orquidófilo e faz um balanço de seu período administrativo:

Vera Coelho – Como você consegue conciliar trabalho, família, academia e orquidofilia?

Italo Gurgel – Procurando capitalizar o melhor de cada uma de minhas atividades e “deletando” da memória, rapidamente, os aspectos negativos; resolvendo os problemas na medida em que eles vão se apresentando; e reservando para a família e as orquídeas meus momentos de lazer.

VC – O que é a ACEO para você?

IG – Para mim, a ACEO é um patrimônio do Ceará. É uma entidade fundada há 34 anos e tem uma história para contar. Grandes orquidófilos cearenses passaram por ela e, hoje, a ACEO tem a missão de lapidar uma nova geração de bons cultivadores. Paralelamente, tem o dever de alertar a sociedade para a questão ambiental, pois enfrentamos desafios como o desaparecimento da Cattleya labiata, subtraída criminosamente de nossas serras. Acho fundamental a Associação investir nesse conteúdo, não se restringindo a discutir substratos, adubos, defensivos, armação das flores…

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