Italo Gurgel (Jornalista, secretário da Associação Cearense de Orquidófilos)
Artigo publicado pelo jornal “O Povo”, edição de 15.11.2011
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura abriga – a partir do dia 18 deste mês e até o dia 20 – um espetáculo de muitas cores, formas e perfumes. Pelo quinto ano consecutivo, entre obras de arte e variadas manifestações culturais, instala-se naquele nobre espaço uma exposição de orquídeas.
O cultivo de orquídeas é uma das atividades de lazer mais difundidas no planeta, atraindo homens e mulheres, crianças e idosos de todos os segmentos sociais. Ao contrário do que muitos imaginam, esta é uma planta rústica, fácil de ser cultivada, desde que observados alguns cuidados básicos.
Não é cara, não requer estufas ou quaisquer outros equipamentos especiais. E dá-se muito bem em nosso clima. A quase totalidade das flores que irão comparecer ao Dragão do Mar terão saído de orquidários da região de Fortaleza.
O Ceará já possuiu um rico patrimônio natural de orquidáceas, entre as quais se destacava a Cattleya labiata, uma das mais belas e cobiçadas. Lamentavelmente, essa riqueza evaporou-se. Durante anos, milhares de plantas foram surrupiadas de nossas serras para serem vendidas nas ruas da Capital ou levadas para o Centro-Sul. Se o navio atrasava, montanhas de labiatas apodreciam nos quintais dos “exportadores”.
Hoje, graças à atuação da Associação Cearense de Orquidófilos (Aceo), os “mateiros” predadores sumiram. Além de orquídeas, os associados aprenderam a cultivar uma consciência ecológica, que impõe respeito à natureza. Comprar orquídeas? Só se for de orquidário comercial, reproduzidas legalmente, em laboratório.
A ameaça que persiste, em nossos dias, é a derrubada da matas, geralmente para dar lugar aos bananais. Em breve, a continuar assim, as únicas orquídeas a sobreviver serão aquelas que se encontram nos orquidários.
Nesse sentido, os orquidófilos são aliados naturais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na missão de preservar o ambiente natural e suas riquezas. Daí o estranhamento que causou a Instrução Normativa nº 11, recentemente baixada por aquele órgão, impondo restrições e estabelecendo condutas impraticáveis.
Muitos cultivadores, sentindo-se acuados e confundidos com criminosos ambientais, já falam em abandonar o hobby. O que é lamentável. Cada orquídea a menos vai significar que o País estará mais pobre.



































