Friday, 8 February, 2008

As entrevistas da ACEO 08: Apolônia Grade - lições de amor às plantas e respeito à natureza

A bióloga e engenheira ambiental Apolônia Grade, de Alta Floresta, Mato Grosso, é a entrevistada do Boletim ACEO de fevereiro (2008). Em conversa com Vera Coelho, ela fala sobre como cuida de suas plantas, na Chácara Recanto das Orquídeas, um verdadeiro templo da devoção à natureza.

ACEO - Morar num “paraíso” é desejo de muitos e privilégio de poucos. Conte-nos como o seu paraíso aconteceu.

Apolônia Grade - Eu costumava brincar, dizendo que enquanto os outros se preocupam em garantir o paraíso na próxima vida, eu busquei o meu agora. Mas Hoever me proibiu, dizendo: “Olha, o Paizão lá em cima pode levar isso a sério, e aí…” Parei com a brincadeira! O paraíso não veio de graça, foi construído dia-a-dia, com muito trabalho, muito suor. Quem conheceu a chácara antes da nossa chegada sabe testemunhar o quanto de trabalho foi necessário para que a transformação acontecesse. O importante é que aconteceu, e toda a família curte muito, junto, trabalha junto, e o que de melhor temos aqui é a harmonia.

ACEO - Hoje você tem uma grande diversidade de plantas, principalmente cactos e orquídeas. Como nasceu o “Recanto das Orquídeas”?

AG - Com uma orquídea ganha após o nascimento da Everana, que tem hoje 15 anos. E essa orquídea, uma Cattleya forbesii, agora já multiplicada, distribuída em muitos vasos, caxepôs, nas árvores, tinha sido antes roubada de uma amiga, que, ao vê-la, reconheceu. Foi o maior mico! Tinha sido roubada da chácara dela por um menino, irmão de quem posteriormente me presenteou. Mas, resolvido o caso do furto, a amizade continua e até hoje trocamos plantas. Dessa primeira para o número de 100 plantas, foram mais ou menos uns dois anos. E nunca mais esse número estacionou. Continua subindo… cactos, suculentas, bromélias, antúrios, helicônias vieram numa seqüência que nem deu para perceber.

ACEO - Você é conhecida no mundo orquidófilo por ter “dedo verde”. Algum motivo para tal?

AG - Gosto de cuidar das plantas, cuidar mesmo, cuidar a ponto de receber plantinhas quase mortas e fazer a recuperação delas. Pegar uma planta de cultivo difícil, como os cactos do Chile (lugar frio) ou orquídeas rupícolas (Laelias mineiras) e descobrir uma maneira de driblar as adversidades, fazê-las viver, conseguir flor… A coleção de cactos aumentou muito, graças à técnica de mini-estufa de semeadura, que desenvolvi com pequenos potes transparentes, de 250 ml, hermeticamente fechados. Hoje, a Chácara Recanto das Orquídeas se orgulha em possuir a maior coleção particular de cactos e plantas desérticas do País, aberta à visitação, e de ter feito a primeira mostra do Estado de Mato Grosso, em setembro de 2007. Na verdade, é a dedicação que faz a diferença.

ACEO - Como surgiu a idéia de fazer um orquidário flutuante, talvez o único do mundo?

AG - A vida no Paralelo 13 pode ser muito seca! Temos chuvas de novembro a abril, mas nos meses de junho, julho, agosto e setembro, a umidade relativa do ar cai tanto que até respirar fica difícil. Quando andamos na mata, somente encontramos orquídeas às margens dos rios, riachos, córregos. Observando a natureza, concluímos que devíamos aproveitar melhor o lago que contorna a chácara. Fomos deixando as idéias fluírem e acabamos construindo o mais funcional de todos os orquidários possíveis: flutua sobre o lago, sobe na cheia, desce na seca, mas tem três quesitos fundamentais: muita luz, excelente ventilação e umidade constante, mas controlada. E o melhor: nunca mais um botão, um broto ou uma raíz de orquídea apareceu roído de lesma ou caramujo.

ACEO - Seu sonho de encontrar a Cattleya violacea alba já foi realizado?

AG - Já cheguei na semi-alba estriata, graças ao Papai-Noel do Espírito Santo (Alek, do Orquidário AWZ) e de Roraima (minha amiga Tereza Anater), mas o sonho da alba continua. E como é acalentador termos um sonho que nos impulsiona a correr atrás dele! Precisamos ter sempre um sonho a mais. É o combustível que alimenta a esperança.

ACEO - Como bióloga e educadora ambiental, que mensagem você nos deixa?

AG - A natureza, mãe de todas as vidas na terra, não nos deu poderes especiais sobre os outros seres. Precisamos ser humildes, respeitando tudo o que está ao nosso redor, seja vegetal ou animal. Não é por termos medo de aranha que devemos sair por aí matando todas, ou sapos, ou o que seja. Cada vida tem o seu valor. Obrigada pela oportunidade de falar com você, e um imenso abraço a todos os orquidófilos cearenses. Amo sua terra maravilhosa!

6 Comments

  • Moro na região de Maringá no Paraná, uns 40 quilômetros de Maringá exatamente, vcs conhecem nesta região alguma associação de orquidófilos, da qual eu possa fazer parte?

  • Dulce,
    Tenho conhecimento de associações em Curitiba - Associação Cultural de Orquidófilos - tel. (41) 3272.5732; a Sociedade Paranaense de Orquidófilos - tel. (41) 3256.2708; O Círculo Norte-Paranaense de Orquidófilos - tel. (43) 3321.1237 e o Círculo Orquidófilo de Ponta Grossa - tel. (42) 3224.6818.
    Entre em contato com uma dessas e pergunte se tem em Maringá.
    Abraços,

  • Neire Luzeiro Bezerra
    March 2nd, 2008 at 23:36

    Moro em Fortaleza. Como faço para fazer parte
    da ACEO? Um abraço e obrigada.
    Neire

  • Neire,
    Nos reunimos no terceiro sábado de cada mês na Casa de José de Alencar, em Messejana, a partir das 15h. Para fazer parte basta se inscrever, participar e contribuir com uma mensalidade simbólica. Será um imenso prazer recebê-la no seio da associação. Aproveito faço-lhe um convite: nos dias 07, 08 e 09 de março, neste final de semana, estaremos no Shopping Del Passeo com o evento “II Orquídeas de Março”. Apareça lá, nos procure. Abraços, Vera Coelho

  • Comprei uma violeta e dois mini-cactos e preciso aprender a cuidar deles, pode me ajudar?. Moro em apartamento com a frente para o poente, a casa é bem clara e arejada, onde devo deixar minhas plantinhas?.

  • Valtercia, já cultivei violeta e sei que seu segredo é sombra e pouca água. Aliás você só molha a terra, nunca as folhas. Pode ser cultivada na mesinha da sala ou no alpendre, desde que não pegue sol direto. Cactos é também a minha paixão. Tenho vários e cultivo-os diretamente no sol. Precisa de substrato arejado, 60% de areia grossa e 40% de terra preta. Use pedrinhas no fundo do vaso para ajudar na drenagem. Procure aduba-los pelo menos uma vez ao mês. Vera Coelho

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