Monday, 5 May, 2008
As orquídeas e a Língua Portuguesa
No último dia 4 de abril, o jornalista Italo Gurgel, presidente da Associação Cearense de Orquidófilos (ACEO) tomou posse na presidência da Academia Cearense da Língua Portuguesa (ACLP). Em seu pronunciamento, Italo destacou a beleza de nossa língua e disse que cabia a nós zelar por ela “como se fora uma jóia, uma orquídea rara”.
Inspirado nessa imagem, o poeta Horácio Dídimo produziu uma página belíssima, que identificou como “paródia do soneto de Olavo Bilac” e onde constrói extraordinária simbiose entre a Língua Portuguesa e a orquídea. O poema foi dedicado ao novo presidente da ACLP. Segue-se esse texto:
Língua Portuguesa
Horácio Dídimo
Última flor do Lácio, orquídea rara
És, a um tempo, esplendor e formosura,
Canto nativo, fonte de cultura,
A mais alta expressão da nossa fala.
Amo-te assim, orquídea perfumada,
No jardim das rosas neolatinas,
Com pétalas e sépalas tão finas,
Coluna de saudades concentrada.
Amo o teu viço agreste e o teu aroma,
Labelo que transmite aos quatro ventos
A voz terna e materna do idioma:
A Moçambique, São Tomé e Príncipe,
Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde,
Timor-Leste, Brasil e Portugal.
O POETA - Horácio Dídimo, professor do Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará, é formado em Direito (UERJ) e Letras (UFC), Mestre em Literatura Brasileira (UFPB) e Doutor em Literatura Comparada (UFMG).
Autor de várias obras no campo da poesia, ensaio e literatura infantil, entre as quais destacam-se Tempo de chuva, Tijolo de Barro, A palavra e a Palavra (Amor - palavra que muda de cor), A nave de prata, a estrela azul e o Amofariz (poesia); O passarinho carrancudo, Historinhas do mestre jabuti, As reinações do rei, Historinhas cascudas (literatura infantil); As harmonias do Pai-Nosso, As funções da linguagem e da literatura, as funções da literatura infantil, Tipologia dos personagens; Manuel Bandeira: poesia e personagem (ensaio); Poesia brasileira: tipologia, deslocamento e desrealização (dissertação de mestrado); Ficções Lobatianas: Dona Aranha e as seis aranhinhas no Sítio do Pica-Pau Amarelo (tese de doutorado).
É membro da Academia Cearense de Letras e da Academia Cearense da Língua Portuguesa. Sócio honorário da Academia Fortalezense de Letras e sócio correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador - Bahia.
1 Comment
May 6th, 2008 at 8:43
Belíssimo soneto!
Parabéns e obrigado, mestre Horácio Dídimo!
Ítalo, você merece muito…
Paz e bem.
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