Thursday, 7 February, 2008

As entrevistas da ACEO 06: Dr. Darly - preservando e ensinando a reproduzir orquídeas

Dr. Darly Machado, cirurgião dentista, orquidólogo e Presidente da Associação Brasileira de Orquidólogos - ABO, é o entrevistado da oitava edição do Boletim ACEO. Amante da natureza e profundo conhecedor das orquidáceas, ele fala de como cuidar das orquídeas, como reproduzi-las, e alerta para a necessidade de se proteger o habitat dessas plantas.

ACEO - “Melhor prevenir do que remediar”. O ditado se aplica também ao cultivo de orquídeas?

Darly Machado - Já escrevi uma matéria sobre este tema e saiu na Mundo das Orquídeas, em números passados recentes. Apenas troquei o termo remediar por envenenar. É o que vemos com freqüência no meio orquidófilo, quando as indicações para tratamento de pragas e doenças são feitas sem o cuidado de um diagnóstico correto, que inclua exames de laboratório de fitopatologia. Freqüentemente vejo as orquídeas de cultivo caseiro “doentes de remédios”, como diz Chamboursou. Aplica-se um inseticida quando o problema é com fungo ou então um fungicida quando deveria ser utilizado um bactericida e assim por diante. E as orquídeas vão sendo cada vez mais envenenadas.

ACEO - Seus livros são leitura obrigatória para todo orquidófilo. Fale um pouco de sua obra bibliográfica. Qual será o próximo lançamento?

D.M. - Escrever sobre orquídea é algo difícil de encontrar palavras que exprimam a satisfação que nos dá. É uma realização pessoal muito prazerosa, principalmente quando vemos que os livros ou matérias para revistas e internet atingem as pessoas que estão iniciando o cultivo e precisam de orientação para dar os primeiros passos e avançar com segurança, obtendo bons resultados. Qual o próximo livro? Bem, já está pronto, esperando patrocinadores para ser lançado. É o “Orquídeas - semeaduras e meristemas em laboratório caseiro”, que está inclusive traduzido para o Espanhol. Esperava lançá-lo em outubro na Bolívia, onde vou participar com uma conferência no Festival Internacional de Orquídeas, na cidade de Concepción, iniciando a implantação de meu projeto “Reproduzir é Preservar”, com a montagem de laboratórios caseiros em El Encanto. Essa região é considerada o santuário das orquídeas bolivianas.

ACEO - Como trabalha a Associação Brasileira de Orquidólogos?

D.M. - A ABO foi fundada em 1997 e, desde a reunião inaugural, pudemos mostrar o objetivo de sua participação para preservação das orquídeas nativas de nosso país, plantando orquídeas nativas floridas e polinizadas nas árvores do Parque Ecológico de Campinas. De lá até agora, procuramos desenvolver e simplificar técnicas de reprodução por sementes e meris-temas, utilizando um laboratório de custo irrisório e levando esse projeto para quase todos os Estados do país. Ao Ceará ainda não fomos, mas o primeiro núcleo de reprodução de nativas foi implantado no Nordeste, com a jornalista Wilma Wanda Emeri, de João Pessoa, Paraíba.

ACEO - Como participar do projeto “Reproduzir é Preservar”?

D.M. - É necessário que pessoas da região venham aprender o trabalho com o laboratório caseiro e, depois, formem grupos que queiram produzir orquídeas nativas de sua região e passem a outros todo o aprendizado. Ou então, as associações organizarem cursos e formarem seus grupos de orquidólogos com interesse de doar orquídeas reprodu-zidas para reposição em áreas de preservação ambiental.

ACEO - A reprodução de orquídeas in vitro está ao alcance de um orquidófilo que não possua formação técnica nessa área?

D.M. - Tenho ensinado até crianças em colégio a utilizarem o laboratório caseiro. Não é preciso conhecer botânica, química ou técnicas da moderna biotecnologia. O que é necessário é apenas aprender uma técnica muito simples e, com um passo a passo, ver as semeaduras in vitro germinando nos frascos de cultura.

ACEO - Qual a importância da orquidofilia e da orquidologia?

D.M. - Quando vejo meus livros e os pedidos que cada dia aumentam mais, de pessoas que estão precisando urgentemente de uma atividade para curar-se de depressão, e pelos resultados de todos os que já puderam sair do uso de medicamentos e hoje são cultivadores dessas plantas maravilhosas, que encantam os olhos e acalmam a alma, posso concluir que as orquídeas têm algo mais na interação homem/planta, para a qual não encontramos explicação.

Mensagem final:

É urgente as associações orquidófilas compreenderem que não podem mais ficar centrando suas atividades em uma exposição anual e partam para uma atividade voltada para a preservação das orquídeas. E o caminho que vejo, com resultados práticos imediatos, é sem dúvida estimularem seus associados a aprenderem a reprodução em laboratório caseiro.

8 Comments

  • ilma vitoria da siva barbosa
    February 11th, 2008 at 11:00

    olha amo orquidia gostaria muito de ter mais conhecimento sobre laboratorio casero como faser cemeadura vidros cuanto tempo leva para nacer eu tenho deprecao e comecei mi emteresar por oquidia ja apredi faser o crusamento todos os dia acordo e vou ver se a semente esta na hora de semea .Isto est mi fasendo muito bem esto amando cada vez mais quero passa a frequenta asosiasao de orquidia da ufes mai nao sei o que tenho que faser. um grande abraco econtinua cenpre fasendo este belo trabalho eu aida vou conceguir um dia ver minhas mudinhas germinarem dentro do vidro acho lindo!

  • Ilma, sobre semeadura caseira tenho uma técnica bem simples. Tome uma cápsula da orquídea que deseja semear, 5 cm das raízes da planta mãe, ou seja, da orquídea que vai semear, uma peneira, um pilão e um copo de água de coco. Macere as raízes no pilão e acrescente a água de coco. Feito isto coe na peneira e acrescente as sementes (abra a cápsula com muito cuidado). Feito isto você pode colocar este líquido sobre o tronco de uma árvore que já tenha musgo ou colocar numa bandeja com sfagno molhado. Cubra com um plástico e acompanhe o desenvolvimento das plântulas. Boa sorte!

  • com essa tecnica voce obteve sucesso

  • Eu gostaria de saber como faço para achar o “útero” de cada orquidea, pois é lá que vou colocar o pólen (parte masculina da planta), eu tenho uma Cattleya, uma Cymbidium e uma Phalaenopsis, outras não estão com flor.

  • Eliane,
    No interior do labelo, a peça central da orquídea - aquela mais colorida e vistosa - está uma pequena coluna. Na ponta da coluna, você encontra as políneas, aqueles grãos que se desprendem facilmente. Logo atrás das políneas, descendo pela coluna, há uma cavidade viscosa - o estigma. É aí que as políneas se fixam, fertilizando a flor e dando início ao processo de formação de uma capsula que conterá as sementes (centenas de milhares delas).
    Visite sempre o site da ACEO.

    Italo

  • Como faço para adquirir o livro do Dr. Darly Machado - Orquidólogo?

    Estou interessado, em montar um laboratório caseiro, pois sou leigo no assunto.

  • Eliane S. Costa
    August 27th, 2008 at 15:23

    Sou uma aprendiz no cultivo de orquidea, pois até agora (de junho/08 em diante) me despertei para o saber cuidar das orquídeas, plantas que sempre amei, mas penso o quento elas sofreram com a minha falta de cuidado com elas, mas agora tudo está mudando. Comprei uma orquídea em um supermercado semana passada para fazer o teste da polinização (era a minha curiosidade maior) não sei o nome dela, pois não veio com a identificação, creio que seja uma cattleya purpurata - localizei duas políneas em uma das flores, mas a outra estava com as políneas mortas (escuras pela má conservação), mesmo assim polinizei, segundo as orientações que recebi de vcs.
    Depois levei a um orquidófilo daqui e ele ao ver disse que ela tinha sido polinizada, pois apesar das flores terem murchado a polinizada estava com a haste verdinha, fiquei muito feliz - obrigada as intruções de vcs - foram fundamentais. Agora tenho mais ou menos 07 meses para preparar o meu laboratório caseiro para a semeadura. Eu tb já vi aqui uma maneira bem simples de semear.
    Obrigada.
    Eliane - Bauru/SP

  • Ola, li uma reportagem sobre como montar um laboratorio para propagaçao de orquidea atraves de semente, pois bem, la fala como montar, material para usar, porem, nao fala o que deve ser feito apos o processo da mistura de todos os componentes, como por exemplo: quanto de liquido tenho que por, quantidade de sementes, onde deve ficar a estufa, quanto tempo leva para germinar, quando poderei tirar as planatas de dentro do frasco de vidro e etc….

    Obrigado!!!!

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