Orquídeas do mato? – Tô fora!

16 de julho de 2010

Orquídeas na Serra da Aratanha

Orquídeas preservadas em seu ambiente natural.

A Associação Cearense de Orquidófilos condena com veemência a compra de orquídeas retiradas da natureza. A seus associados, a ACEO aconselha a aquisição em bons orquidários comerciais, onde se comercializam plantas saudáveis, de boa qualidade, reproduzidas legalmente, em laboratório.

Se todos resolvessem coletar orquídeas na mata, em breve não haveria mais orquídeas. Nem mata, pois os ecossistemas são frágeis e o desaparecimento de uma espécie pode determinar o fim de todas as demais. A orquidofilia está intimamente associada à causa ecológica e todo cultivador de orquídeas deve ser, acima de tudo, um defensor do meio ambiente. Na ACEO, defender a natureza não é apenas figura de retórica, mas uma prática.

Vem agora outra questão: a coleta na natureza, transporte e comercialização de orquídeas assim obtidas são atos criminosos, para os quais se prevê punição. De acordo com a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, em seu Art. 48, “receber ou adquirir, para fins comerciais ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal (…)” é crime passível de detenção, de seis meses a um ano, e multa.

No parágrafo único do mesmo artigo, observa-se que “incorre nas mesmas penas quem vende, expõe a venda, tem em depósito, transporta ou guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de origem vegetal, sem licença válida (…)”. Embora não se refira especificamente às orquidáceas, a legislação abrange essa família. E surge um agravante no Art. 53, onde se prevê que a pena será aumentada de um sexto a um terço, caso se trate de espécie rara ou ameaçada de extinção. Isto significa que quem vende ou compra Cattleya labiata (espécie em extinção) retirada diretamente de nossas matas está cometendo um crime ambiental sobre o qual pesam agravantes.

Fitossanidade

Além de se tratar de uma prática criminosa, comprar planta do mato é colocar em perigo a saúde de todo o orquidário. Esse material, em sua quase totalidade, está infestado de fungos, líquens, até mesmo bactérias e diferentes pragas, constituindo-se, ao mesmo tempo, em plantas feias, com folhas e pseudobulbos marcados e cobertas de raízes de pteridófitas. Ao contrário das excelentes plantas de orquidário, cultivadas a partir de cuidadosa seleção e criteriosos cruzamentos, é praticamente impossível, hoje em dia, encontrar-se uma Cattleya labiata retirada da mata e que não seja de péssima qualidade estética.

Se alguém compra “orquídea do mato” porque esta é um pouco mais barata, está cometendo um ledo engano. Eis aí um barato que sai caro, porque, além de contaminar o orquidário com pragas e doenças, essa planta tem grandes possibilidades de ela própria fenecer em pouco tempo, uma vez que não contará com as defesas que lhe permitiam sobreviver em seu ambiente natural.

Como diferenciar

Em publicação recentemente lançada pelo IBAMA (tradução de Pictorial Guide – Differentiation of wild collected and artificially propagation of orchids), são repertoriados vários aspectos que permitem diferenciar uma orquídea coletada em meio silvestre daquela reproduzida artificialmente. Seguem-se algumas dessas características:

  • Plantas coletadas: muitas raízes crescendo na mesma direção; muitas raízes mortas e com pedaços de casca de árvore; ponta das raízes frequentemente danificadas; número desequilibrado de folhas e raízes; cápsulas de sementes presas às plantas; as folhas são sujas e geralmente não apresentam aspecto saudável, por causa de líquens e por estarem desidratadas e/ou contaminadas por fungos; muitos pseudobulbos mortos e outros sem as folhas ou danificados.
  • Plantas obtidas por propagação artificial: raízes crescendo de acordo com o formato do vaso; resíduos do material de propagação; quantidade equilibrada de folhas e raízes; ausência de bainhas secas; folhas e raízes saudáveis; plantas com formato e tamanho uniformes; flores com cores vivas.

Legal e ilegal

Diante de comentários alarmistas, por vezes alguns orquidófilos se perguntam sobre se há problemas em transportar (e mesmo em possuir) orquídeas adquiridas legalmente. A engenheira florestal Lou Menezes, chefe do Orquidário Nacional do IBAMA, esclarece algumas dúvidas sobre atividades concernentes aos orquidófilos e suas coleções:

  1. O Ibama exige o registro somente dos comerciantes de orquídeas, os quais são obrigados a apresentar um cronograma de reprodução das plantas. Tal cronograma é periodicamente controlado através do levantamento das plantas – suas espécies e variedades.
  2. Os orquidófilos, além de não serem obrigados ao registro no IBAMA, são senhores de suas coleções, podendo ou não realizar reproduções das plantas, mas nunca sendo considerados produtores legalizados.
  3. As plantas das coleções dos orquidófilos, devidamente tratadas em cultivo, não podem ser confiscadas por parte de autoridades competentes, pelo simples fato de serem orquídeas.
  4. As plantas poderão ser confiscadas, caso seja caracterizada a coleta de plantas retiradas das matas e/ou pelo comércio ilegal das mesmas.

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1 Devanis de Oliveira Andrade 31 julho, 2010 às 20:36

Primeiramente quero parabeniza-los pelo site e a matéria. O intito dessa mensagem é corroborá com as concepções de muitos sobre a coleta de orquideas, porem gostaria de sugerir aqueles que teem acesso e facilidade de contatos com o mundo orquidófilos, que fizessem uma corrente no sentido de que pudessem concientizar a sociedade como um todo sobre o desmatamento legal e ilegal. Alum tempo atras estive com um cidadão que soube que eu gostava, ele me perguntou se eu interessado em algumas. Perguntei-lhe. Voce tem orquidário? Ele me disse então._ Não, eu trago direto da mata- Então disse-lhe, isso é crime. Então me disse- Eu não vou la na mata e tiro-as, é que os caras vão derrubando com orquídeas e tudo e eu vou coletando. Veja quanta ironia. Não que eu seja a favor da coleta, mas acho que deveriamos lutar com a consciência voltada paro o contexto geral do problema. Até porque ouve-se na midia desmatamento do tamanho de vário campos de futebol por mês, senão por dia. Quantas espécie estão sendo extintas, sem contar que as nossas fiscalizações são ineficientes, as vezes até conivente.
Atenciosamente.

2 orlando 14 agosto, 2010 às 07:38

Aproveitando as palavras do colega, quero acrescentar e lançar a ideia de, todos nos orquidofilos, presionarmos nossos deputados federais para
que criem uma lei, para que o orgao que autoriza o desmatamento comunique com a associaçao ou grupo orquidofilo mais proximo do local a ser desmatado, para que os orquidofilos faça a coleta na area. Aqui em minas gerais tambem é grande o desmatamento e este se da, geralmente no serrado, para que as (grandes empresas possam plantar eucaliptos) ou “arrebentar” tudo ppara estrair minerio.
um abraço e boas flores a todos.

3 damiana.rodrigues.silva 14 abril, 2011 às 18:45

tenho oquideas mas nao da flor que devo fazer

4 ATAUALPA I. REZENDE 2 dezembro, 2011 às 19:14

acho importante a ideia de captura de plantas em lugares a serem desmatados, mas para replante em areas de preservacao de preferencia perto da area a ser desmatada pois as plantas ja estao aclimatadas e nao sofrerao tanto com a nova morada. Penso que o IBAMA deveria autorizar as associacoes ou cadastrar pessoas com este intuito. Existe muitos predadores, mas tem muita gente interessada em dar uma maozinha para a natureza, por amor e dedicacao a orquidofilia em especial. Quem gosta de animais , defenda pelos animais, quem de bromelias, por bromelias e etc., seria uma grande somatoria de forças e quem ganharia mais com isso seria a propria natureza.

5 MARCIA 10 fevereiro, 2012 às 20:11

cADEIA

6 ADEMAR CIVA 11 outubro, 2012 às 20:15

Em primeiro lugar, teria que proibir o desmatamento, mas para o governo parece ser mais importante as empresas se instalarem do que proteger a naturesa EU FICO INDIGNADO……..

7 calos luiz 23 maio, 2013 às 10:26

Como todo produto florestal as orquídeas estão inclusas neste meio, vale salientar que com a autorização de desmatamento pode e deve ser retiradas as especies existentes na areá autorizada; Desde que siga os critérios de retirada de nota fiscal do produtor de onde foi concedido o desmatamento e a cobertura deste produto pelo DOF que deve ser emitido pelo IBAMA. Isto e o procedimento legal faz se acreditar; E como se fosse uma torra que vai para a serraria.
Parte desta responsabilidade deveria ser emanada para o responsável técnico do projeto de desmatamento e dono do empreendimento e autoridades fiscalizatórias e seus níveis.

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