As entrevistas da ACEO 03: Carlos Gomes, um entusiasta da Laelia purpurata

Carlos Gomes, orquidófilo catarinense, é o “pai” de algumas das mais belas Laelia purpurata presentes em coleções de todo o País. Entrevistado por Vera Coelho, para a quinta edição do Boletim ACEO, de 19/08/07, ele fala de sua paixão pelas orquídeas e de como dedicou sua vida a essas plantas, reunindo uma coleção que já alcança cerca de 100 mil plantas.

ACEO – Quando e como surgiu a idéia de cultivar orquídeas?

Carlos Gomes – Desde pequeno, sempre colecionei coisas. Depois de adulto, tive uma fase de motociclista, em que quase virei mecânico de motos. Em seguida, foi a fase de fotógrafo, quando cheguei a ter um laboratório para fotos em preto e branco. Casado, comecei a cultivar plantas no apartamento e logo ele estava repleto de samambaias de várias espécies. Como sempre admirei as orquídeas, por conta de um parente orquidófilo, comecei a cultivar algumas, no apartamento. Numa exposição em Florianópolis, tive contato com a Associação local e comprei várias plantas. Comecei a estudar e pesquisar o assunto e a coleção foi crescendo. Logo fiz um orquidário na casa de meus pais e, em seguida, comecei a procurar uma casa para comprar, pois queria ter as plantas por perto. Comprei a casa e fiz outro orquidário, na verdade, o primeiro de uma série, pois a coleção não parou mais de crescer. Mesmo hoje, 25 anos depois, ainda está crescendo, agora com quase 100 mil plantas.

ACEO – Todo orquidófilo tem preferências. A sua seria a Laelia purpurata?

C. Gomes – Eu sempre encontrava a Laelia purpurata florida nas matas e costões de Floripa, durante as caminhadas e pescarias. Antigamente, ela era comum aqui na ilha. Raramente coletávamos, pois eram sempre de péssima forma, apesar de bonitas visualmente. Mas o pessoal da época já queria plantas armadas e com pétalas e sépalas planas e largas, coisas raras na natureza. Nas exposições daquela época, praticamente só se olhava para a L. purpurata. Tudo o mais era supérfluo. Aliás, ainda hoje, nas exposições de novembro, é assim. Quem não gostar de L. purpurata, vai ter pouco assunto para conversar. E é claro que ela tem atributos de sobra para isso. Sou apaixonado por ela, que deve ocupar mais da metade do meu orquidário.

ACEO – Quando começou a produzir e comercializar orquídeas?

C. Gomes – Sempre fui e serei colecionador, ou seja, aquele sujeito que quer sempre a mais rara e melhor orquídea em cada espécie ou variedade. Mas chegou uma época em que os custos ficaram proibitivos e a quantidade de plantas muito grande. Além disso, com a decepção na compra de seedlings, que tinham baixo aproveitamento, comecei a fazer meus próprios cruzamentos, aproveitando as matrizes da minha coleção e de amigos. Com o sucesso dos primeiros cruzamentos, muitos passaram a comprar e, daí à comercialização foi um passo. Hoje temos o prazer de ver muitas plantas de nossos cruzamentos premiadas em exposições.

ACEO – O que tem feito em termos de melhoramento genético?

C. Gomes – Quando começamos a fazer cruzamentos, já na década de 80, quase tudo o que havia no mercado era cruzamento especulativo. Pouca gente usava boas matrizes ou tinha um mínimo de conhecimento genético. Uma das primeiras coisas que fizemos foi usar colchicina para induzir poliploidia e também usar plantas tetraploides nos cruzamentos. Isso, aliado a linhagens de variedades, nos deu um grande aproveitamento nos cruzamentos. Em algumas espécies, como a L. purpurata, C. intermedia e C. leopoldii, entre outras, alcançamos um padrão nunca sonhado. Mas é apenas o começo. Hoje temos um entendimento muito melhor dos mecanismos de transmissão das características genéticas e o melhoramento está mais fácil.

ACEO – Fale um pouco sobre a orquidofilia no Sul do Brasil.

C. Gomes – O Sul sempre teve uma orquidofilia muito exigente. No começo, baseada apenas na L. purpurata (SC e RS) e na C. intermedia (RS). Colecionadores famosos possuiam coleções milionárias, com plantas espetaculares e sempre mantidas a sete chaves. Com o advento da clonagem e dos cruzamentos, houve a democratização da orquidofilia. Hoje, todos podem ter plantas excepcionais, sem gastar fortunas. E isso ampliou muito os horizontes da orquidofilia. Atualmente, estamos passando por um excelente momento, com grande interesse das pessoas por essa arte maravilhosa.

2 comentários em “As entrevistas da ACEO 03: Carlos Gomes, um entusiasta da Laelia purpurata”

  1. cultivo orquideas , principalmente l.purputas porque admiro a sua forma e coloração. disponha de algumas preciosidades e o que mais gostarias de ver é fotos delas na natureza. ja adquiri algumas plantas sua alguns anos atraz. se for possivel conseguir fotos envie-me nem que seja xerox. meu endereço: moacyr a.paula e silva, rua 21 de setembr
    o,130 cep 83900000 são mateus do sul paraná

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  2. Muito interessante o artigo.
    Para nós um pouco mais leigos do que vocês, qual seria a dose (quantidade em mm) de colchicina deve-se acrescentar a uma semeadura (= 20 frascos)?

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