
Ela já fez música eletroacústica e trabalhou como secretária trilíngue. Hoje é sócia-gerente do estúdio fotográfico do marido, Sérgio Araújo, e conduz uma livraria virtual especializada em lívros sobre orquídeas. Estas, de fato, são sua grande paixão. Delfina de Araújo é responsável, ao lado de Sérgio, pelo site mais premiado do Brasil nesse segmento (www.delfinadearaujo.com) e, também em parceria com o marido, é autora do livro “Orquídeas Brasileiras – Espécies e Híbridos”, um clássico.
Aqui, Delfina conversa com o editor do Boletim ACEO, jornalista Italo Gurgel, sobre seu trabalho, seu devotamento às orquídeas, seus planos:
ACEO – Sua infância foi no interior de Minas Gerais, a juventude no Rio e na França. Em que fase de sua vida você incorporou o amor pelas orquídeas?
Delfina de Araújo – Sempre gostei muito de plantas. Desde que me entendo por gente, estou às voltas com cuidar de vasos e jardins. Meu pai tinha um jardim grande, com muitas rosas, mas não cultivava orquídeas. Eu poderia dizer que meu interesse apareceu quando eu estava quase entrando na 3a idade. De repente, comecei a reparar mais nestas plantas e tentar cultivá-las. Minhas primeiras orquídeas foram presentes de minha mãe e foram plantas em vasos enormes, com pó de xaxim. Inútil dizer que nenhuma sobreviveu.
O golpe final foi em razão da dengue. Fui picada pelo mosquito, desenvolvi a doença e me vi obrigada a ficar de molho em casa, sem poder trabalhar. Numa tarde daquelas, estava assistindo um programa de debate e entrevista na antiga TVE e acabei tomando conhecimento da OrquidaRio, através de seu presidente na época, Hans Frank. Ele mostrou umas flores e falou da exposição que estava acontecendo na Universidade Gama Filho. Falou também de um curso que aconteceria no último dia daquele evento. Fiquei maluca e pedi a um funcionário para fazer minha inscrição, rezando para que a dengue acabasse para eu poder ir. Assisti ao curso e fui sorteada com uma Miltonia flavescens, que tenho até hoje e dela nasceram diversas outras plantas.
Naquela época, havia uma dificuldade muito grande de se adquirirem livros sobre cultivo adaptado ao nosso clima. Havia alguma literatura estrangeira sobre cultivo e, consequentemente, não estava de acordo com o nosso clima, mas não havia muita coisa sobre estas plantas em si. Assim, aquele pequeno curso foi muito importante para dar o início.










