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	<title>Orquidofilos.com &#187; Entrevistas</title>
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	<description>O cultivo de orquídeas como celebração de amor à natureza</description>
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		<title>Entrevista nº 20: Lou Menezes alerta para necessidade de se preservar o habitat das orquídeas</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Nov 2011 21:17:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[A engenheira florestal Lou Menezes, estudiosa das orquídeas brasileiras &#8211; as quais já descreveu em livros que circulam no mundo inteiro - deu entrevista exclusiva ao &#8221;Boletim ACEO&#8221;, falando do seu trabalho, da importância das orquidáceas em nosso país, do papel das associações orquidófilas e de outros temas que interessam a todos os que estão, de uma forma ou [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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</ul>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p></p><p>A engenheira florestal Lou Menezes, estudiosa das orquídeas brasileiras &#8211; as quais já descreveu em livros que circulam no mundo inteiro - deu entrevista exclusiva ao &#8221;Boletim ACEO&#8221;, falando do seu trabalho, da importância das orquidáceas em nosso país, do papel das associações orquidófilas e de outros temas que interessam a todos os que estão, de uma forma ou de outra, envolvidos com as orquídeas. Segue-se a transcrição da conversa:</p>
<div id="attachment_2851" class="wp-caption alignleft" style="width: 283px">
	<a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2011/11/Bienal-do-Recife-Lou-Menezes-e-Lenine.jpg"><img class="size-medium wp-image-2851 colorbox-2850" title="Bienal do Recife - Lou Menezes e Lenine" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2011/11/Bienal-do-Recife-Lou-Menezes-e-Lenine-300x225.jpg" alt="" width="283" height="215" /></a>
	<p class="wp-caption-text">Lou Menezes com o cantor Lenine, na 1ª Bienal de Orquídeas do Nordeste, no Recife.</p>
</div>
<p> <strong>ACEO -</strong> Você está com algum novo livro em preparação?</p>
<p><strong>Lou Menezes -</strong> Estou compilando um livro sobre a <em>Cattleya nobilior</em>, para ser publicado no primeiro semestre de 2014. Após meu recente livro sobre a <em>Cattleya walkeriana</em>, não poderia deixar de pesquisar a sua irmã gêmea, ou seja, a <em>nobilior</em>.   </p>
<p><strong>ACEO -</strong> Como você avalia a importância da flora de orquídeas do Brasil?</p>
<p><strong>LM -</strong> A importância da flora brasileira de orquídeas extrapola a compreensão do comum. Envolve a preservação dos habitats, especialmente o nicho ecológico das orquídeas, seus polinizadores, os usos industrial e medicinal, além da obtenção dos &#8220;royalties&#8221; para o País. Este último pobremente explorado, uma perda enorme, se comparado aos &#8220;royalties&#8221; obtidos pelos países asiáticos grandes produtores de orquídeas.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> Esse patrimônio corre riscos?<span id="more-2850"></span></p>
<p><strong>LM -</strong> O patrimônio está sempre correndo riscos e perdas irreparáveis, visto que a preservação é feita em progressão aritimética, enquanto a depredação ocorre em progressão geométrica, por fatores diversos e muito bem conhecidos dos amantes das orquídeas.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> A Instrução Normativa nº 11 é um instrumento adequado para proteger nossas orquídeas e outros tesouros da flora brasileira?</p>
<p><strong>LM -</strong> A Instrução Normativa nº 11 é adequada para proteger nossas riquezas florestais, embora haja necessidade de ajustes, no sentido de proteger os aficcionados de certos rigores de controle mal compreendidos ou analisados por aqueles que ignoraram consultar a comunidade orquidófila e os produtores de orquídeas.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> O que as associações orquidófilas podem fazer para ajudar na preservação da nossa flora?</p>
<p><strong>LM -</strong> É de fundamental importância que as comunidades orquidófilas implantem programas de educação ambiental para orientar as ações de seus associados, alertando-os para a urgência na formação de uma conscientização ambiental que proteja, dos predadores, os habitats e as populações de orquídeas.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> O que a levou a pesquisar sobre a <em>Cattleya labiata</em>?</p>
<p><strong>LM -</strong> Primeiramente, as minhas raízes nordestinas. Nascida em São Luis do Maranhão, outrora a Atenas brasileira e, hoje, apenas brasileira, fui atraída pela <em>Cattleya labiata</em>, cantada em prosa e verso como a Rainha das Cattleyas ou mesmo a Rainha das Orquídeas do Brasil.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> Qual é, de fato, o território dessa <em>Cattleya</em>?</p>
<p><strong>LM -</strong> Pude constatar, nas minhas viagens de pesquisa, que os habitats de <em>Cattleya labiata</em> encontram-se nos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará. Possivelmente, a espécie poderá ser encontrada ao longo do complexo montanhoso que separa os Estados do Ceará e Piauí, o que desmistificaria a existência da <em>Cattleya labiata</em> neste último Estado.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> O que diferencia a <em>C. labiata</em> da <em>C. jenmanii</em> e da <em>C. warneri</em>?</p>
<p><strong>LM -</strong> Levando-se em consideração o ponto de vista estritamente botânico, as Cattleyas <em>warneri </em>e <em>jenmanii</em> são meras raças geográficas ou variedades ecológicas da <em>Cattleya labiata</em>.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> Alba, amesiana, amoena, amethystina, atropurpurea, caerulea, caerulescens, concolor, purpureo-lineata, purpureo-striata, rosada, rubra, semialba, venosa, labelloide, pelórica &#8211; essa classificação cobre a riqueza de coloridos e formas da <em>Cattleya labiata</em>?</p>
<p><strong>LM -</strong> A nomenclatura apresentada em meus dois livros sobre a <em>labiata</em>, ou seja, suas variedades horticulturais, estão perfeitamente de acordo com as conhecidas variedades morfocromáticas de suas flores. Muito recentemente, algumas raras plantas encontradas em habitats de Pernambuco, cujas flores exibem um colorido próximo da tonalidade vinho, poderiam atender aos anseios dos amantes da espécie, criando-se, então, a variedade horticultural vinicolor, um assunto que deverá ser tratado em um próximo trabalho que estou elaborando. A ideia estapafúrdia de estabelecer uma nomenclatura similar para a <em>labiata</em> e a <em>purpurata </em>entraria em choque com tradições culturais entre Nordeste e Sul, mas também iria contrariar as variedades legalmente descritas e registradas na literatura pertinente do passado. Tais variedades não podem ser ignoradas nem tampouco alteradas de acordo com as regras de nomenclatura botânica. Um simples e contundente exemplo dessa situação diz respeito às flores branco puro, que na <em>Cattleya labiata</em> representam a variedade alba e, na <em>purpurata</em>, a variedade virginalis.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> Fale do Orquidário do IBAMA. O que o visitante vai encontrar ali?</p>
<p><strong>LM -</strong> O Orquidário Nacional do IBAMA é uma estrutura que abriga o acervo de plantas do projeto Orquídeas do Brasil. Fundamentalmente criado com o objetivo de pesquisar a rica flora brasileira de orquídeas, está também aberto à visitação pública, encantando muitas vezes os incautos, pelas plantas raras em florações espetaculares, como foi o caso do <em>Grammatophylum speciosum</em>, espécie asiática que inundou a mídia com sua beleza gigantesca e reveladora.</p>
<p><strong>ACEO -</strong> Uma pergunta final à excelente fotógrafa: como fotografar orquídeas, para se obter o melhor resultado?</p>
<p><strong>LM -</strong> Não me considero expert em fotografar, mas, com uma boa câmera e tempo nublado, os resultados são bons e, muitas vezes, excepcionais. Minhas fotos são fruto de uma aprendizagem típica de amador, ao longo de anos de tentativas bem ou mal sucedidas.</p>
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		<title>Entrevista nº 19: Lindon Barros fala da ASSOPE e da 1ª Bienal de Orquídeas do Nordeste</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 18:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Lindon Barros (à direita) com o cantor Lenine, patrono da Bienal. Lindon José Teixeira Barros, analista de sistemas com especialização em gestão de projetos de software, é presidente da Associação Orquidófila de Pernambuco (ASSOPE), desde 2007. Entre 2005 e 2007, ocupou o cargo de diretor de Exposições e Eventos da entidade, na gestão do presidente [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_2690" class="wp-caption aligncenter" style="width: 432px; height: 479px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2011/10/Lindon-e-Lenine.jpg"><img class="size-large wp-image-2690 colorbox-2689" title="Lindon e Lenine" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2011/10/Lindon-e-Lenine-988x1024.jpg" alt="" width="422" height="453" /></a></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Lindon Barros (à direita) com o cantor Lenine, patrono da Bienal.</dd>
</dl>
<p style="text-align: left;">Lindon José Teixeira Barros, analista de sistemas com especialização em gestão de projetos de software, é presidente da Associação Orquidófila de Pernambuco (ASSOPE), desde 2007. Entre 2005 e 2007, ocupou o cargo de diretor de Exposições e Eventos da entidade, na gestão do presidente Roberto Brito. Aqui, Lindon conversa com a presidente da ACEO, Vera Lúcia Matos Coelho, discorrendo sobre a ASSOPE e sobre a I Bienal de Orquídeas do Nordeste, que acontece, de 20 a 23 de outubro, no Recife.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Vera Coelho </strong>- Como você descobriu a ASSOPE?</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Lindon Barros </strong>- Conheci a ASSOPE em uma de suas exposições, em março de 2004. Minha mãe havia assistido a uma reportagem exibida pela Globo sobre a exposição e me chamou para acompanhá-la. Somente conhecia como orquídea as <em>Cattleya </em>lilases e me encantei com a diversidade de cores, tamanhos e formas. Fiquei tanto tempo observando a exposição, que devo ter chamado a atenção de um associado, que me abordou e, em um breve batepapo, me ofereceu o curso de iniciação ao cultivo de orquídeas promovido pela Associação. Gostei da ideia e logo fiz a inscrição. Foi o “empurrãozinho” que faltava para entrar no mágico mundo da orquidofilia.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>VC &#8211; </strong>Fale um pouco da ASSOPE, de sua história, e dos projetos atuais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>LB &#8211; </strong>A ASSOPE foi fundada, em 27 de junho de 1978, por um grupo de apaixonados por orquídeas e, inicialmente, fazia suas reuniões e exposições no Museu do Estado. Alguns anos mais tarde, depois de muita dedicação e esforço, conseguiu, junto à Prefeitura do Recife, um terreno onde foi erguida a nossa sede. Hoje a ASSOPE é considerada de utilidade pública municipal e estadual, contando com uma sede própria, com 900 m2 de área construída. Dispõe de biblioteca, auditório multimídia, loja de suprimentos, secretaria e salão de exposições. Funciona de segunda a sexta-feira, atendendo aos associados e ao grande público. Os primeiros anos do nosso trabalho à frente da Diretoria tiveram como foco principal a reaproximação de antigos associados, grandes orquidófilos e orquidólogos que, por motivos diversos, tinham se afastado da Associação. Também focamos na reestruturação e modernização da sede, a fim de proporcionar mais conforto e melhor atender ao associado. Começamos a promover exposições fora do Recife, levamos nossas orquídeas e nosso conhecimento para as cidades de Caruaru e Cabo de Santo Agostinho. Estreitamos os laços com as associações orquidófilos dos Estados vizinhos, como Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará, promovendo maior intercâmbio. O objetivo, em 2012, é construir um orquidário em nossa sede, somente com orquídeas pernambucanas, para que seja utilizado para estudo e divulgação de nossas espécies. Pretendemos estabelecer parcerias com órgãos públicos e empresas privadas, criando projetos de preservação, conscientização e educação ambiental.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>VC </strong>- Recife sediará a I Bienal de Orquídeas do Nordeste. Quais as dificuldades e aspectos positivos na realização desse evento?</p>
<p style="text-align: left;"><strong>LB </strong>- Em outubro, realizaremos a I Bienal de Orquídeas do Nordeste e o I Workshop de Orquídeas de Pernambuco. Durante esses eventos, promoveremos palestras, cursos, oficinas de cultivo e mesas-redondas com renomados palestrantes. São eventos nunca antes vistos no Nordeste e que reunirão mais de mil colecionadores, distribuídos em 10 associações orquidófilas de sete estados nordestinos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas, Sergipe e Bahia). O público estimado é de 30 mil pessoas. O objetivo é fortalecer as relações entre os colecionadores, cultivadores e produtores de orquídeas e integrá-los com o público local e turístico, criar um intercâmbio técnico-científico relacionado ao cultivo de orquídeas, difundir tecnologias de produção de baixo impacto sobre os agroecossistemas e ampliar a qualidade da produção de orquídeas no Estado de Pernambuco. As maiores dificuldades encontradas para a realização de um evento desse porte são a alocação de recursos e a logística. Os preparativos já têm praticamente um ano. Estamos acostumados a realizar nossas exposições e mostras em nossa sede, mas a bienal exige uma estrutura bem maior. Optamos por fazê-la no Parque da Jaqueira, por ser um parque municipal, com boa estrutura e excelente localização. Também é preocupação nossa atrair o maior número possível de orquidófilos do Nordeste. Para isso, estamos trazendo cinco orquidários comerciais e convidamos orquidófilos, pesquisadores e autoridades das regiões Sul e Sudeste para proferir palestras, oficinas e cursos durante o workshop. A orquidofilia pernambucana e nordestina sempre foi um celeiro de grandes colecionadores e pesquisadores. Pernambuco tem hoje uma ASSOPE forte, renovada, moderna, consciente de suas responsabilidades sociais Tenho certeza de que a Bienal será um marco na orquidofilia brasileira.</p>
</div>
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		<title>Entrevistas &#8211; nº 18: Missão da ACEO é lapidar nova geração de orquidófilos, diz Italo Gurgel</title>
		<link>http://www.orquidofilos.com/entrevistas-n%c2%ba-18-missao-da-aceo-e-lapidar-nova-geracao-de-orquidofilos-diz-italo-gurgel</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 10:23:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Italo Gurgel é jornalista e professor universitário. A atualmente é coordenador de Comunicação Institucional da Universidade Federal do Ceará e preside a Academia Cearense da Língua Portuguesa. Orquidófilo há 11 anos, participou do pequeno grupo que reativou a ACEO, em 2006, e depois presidiu a entidade por dois períodos consecutivos. Na atual gestão, é 1º [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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	<a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2011/08/34-Italo-e-orquídeas1.jpg"><img class="size-medium wp-image-2587 colorbox-2584" title="34 - Italo e orquídeas" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2011/08/34-Italo-e-orquídeas1-300x194.jpg" alt="" width="408" height="264" /></a>
	<p class="wp-caption-text">Para Italo, defesa do meio ambiente também é missão das entidades orquidófilas.</p>
</div>
<p>Italo Gurgel é jornalista e professor universitário. A atualmente é coordenador de Comunicação Institucional da Universidade Federal do Ceará e preside a Academia Cearense da Língua Portuguesa. Orquidófilo há 11 anos, participou do pequeno grupo que reativou a ACEO, em 2006, e depois presidiu a entidade por dois períodos consecutivos. Na atual gestão, é 1º secretário e diretor de Comunicação. Conversando com a presidente Vera Lúcia Matos Coelho, ele fala do movimento orquidófilo e faz um balanço de seu período administrativo:</p>
<p><strong>Vera Coelho </strong>- Como você consegue conciliar trabalho, família, academia e orquidofilia?</p>
<p><strong>Italo Gurgel </strong>- Procurando capitalizar o melhor de cada uma de minhas atividades e “deletando” da memória, rapidamente, os aspectos negativos; resolvendo os problemas na medida em que eles vão se apresentando; e reservando para a família e as orquídeas meus momentos de lazer.</p>
<p><strong>VC &#8211; </strong>O que é a ACEO para você?</p>
<p><strong>IG &#8211; </strong>Para mim, a ACEO é um patrimônio do Ceará. É uma entidade fundada há 34 anos e tem uma história para contar. Grandes orquidófilos cearenses passaram por ela e, hoje, a ACEO tem a missão de lapidar uma nova geração de bons cultivadores. Paralelamente, tem o dever de alertar a sociedade para a questão ambiental, pois enfrentamos desafios como o desaparecimento da <em>Cattleya labiata</em>, subtraída criminosamente de nossas serras. Acho fundamental a Associação investir nesse conteúdo, não se restringindo a discutir substratos, adubos, defensivos, armação das flores&#8230;<span id="more-2584"></span></p>
<p><strong>VC</strong> &#8211; Você dirigiu a ACEO entre 2007 e 2011. Quais teriam sido as principais conquistas da Associação nesse período?</p>
<p><strong>IG </strong>- A primeira e mais importante foi o fato de reviver nas pessoas o interesse pela Associação. Antigos orquidófilos voltaram a frequentar a entidade, somando-se a dezenas de novos associados, que “descobriram” as orquídeas nas exposições que realizamos. A ACEO se reestruturou, organizou-se como uma entidade moderna e atuante, e tornou-se conhecida dentro e fora do Ceará. A partir de um núcleo inicial de oito pessoas, em 2006, ultrapassa hoje os 100 associados.</p>
<p><strong>VC </strong>- E quais foram as ferramentas usadas para tornar a ACEO conhecida?</p>
<p><strong>IG </strong>- Investimos nas exposições, realizando-as nos mais diferentes ambientes, a fim de atrair os mais diferentes públicos. As reuniões mensais, no mesmo local e horário, sempre tiveram conteúdo, temas a serem apresentados e discutidos, não limitando os participantes a uma apreciação subjetiva das flores. Estabelecemos parcerias, a exemplo da que firmamos com o Orquidário Santa Bárbara, e insistimos na condenação ao comércio de orquídeas retiradas da mata. Por fim, criamos o site <strong>www.orquidofilos.com</strong>, que divulgou a ACEO extraordinariamente e hoje contabiliza mais de 11 mil acessos mensais.</p>
<p><strong>VC </strong>- O que você citaria, dentre as conquistas da ACEO, como uma contribuição pessoal sua?</p>
<p><strong>IG </strong>- A ACEO é uma criação coletiva – é sempre bom lembrá-lo. Há um pequeno grupo sobre o qual pesa uma enormidade de tarefas (não vou citar nomes para não ferir suscetibilidades), mas todo o contingente de associados é importante para o sucesso da Associação. Mesmo assim, eu citaria algumas ações onde eu pude dar uma contribuição pessoal, derivada talvez de minha experiência profissional. Refiro-me, por exemplo, à comunicação. A ACEO é uma entidade que se comunica, que mostra sua cara para a sociedade, porque acredita que isto facilita a missão de divulgar a orquidofilia e a defesa ambiental. Em meus dois mandatos, insisti também em duas características que coloquei como estratégias fundamentais: o profissionalismo e a originalidade.</p>
<p><strong>VC </strong>- Em que consistem essas estratégias?</p>
<p><strong>IG </strong>- Abomino o amadorismo. Tudo o que procuramos fazer foi com profissionalismo e qualidade. Não hesitamos em pagar bons profissionais para produzir nossos cartazes, <em>folders</em>, nossa belíssima logomarca, nosso magnífico troféu &#8211; a “Labiata de Ouro”. Ao mesmo tempo, procuramos não imitar ninguém. É o que chamei de política da originalidade. Tento não me deslumbrar, quando visito outras exposições, para não ser tentado a copiar qualquer ideia. Confio no talento e criatividade do nosso povo e foi com base nele que procurei desenhar a “cara” da ACEO nessa nova fase da Associação.</p>
<p><strong>VC </strong>- Você teria sugestões a dar às futuras administrações?</p>
<p><strong>IG </strong>- O que espero é ver a ACEO aprofundando suas conquistas: dando conteúdo às reuniões, trabalhando a unidade do grupo e harmonia entre os associados, dialogando com as outras entidades orquidófilas nordestinas, defendendo a boa causa ecológica, incentivando a produção e comércio de orquídeas no Ceará (mas sem se envolver nessas atividades), e aprimorando seu próprio estilo, sua marca. Quem não imita ninguém, termina sendo imitado. E isto é ótimo!</p>
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		<title>Entrevistas da ACEO &#8211; nº 17: Marcelo Nascimento, o geólogo que resolveu garimpar orquídeas</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 13:56:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Marcelo Vieira Nascimento é geólogo, tem especialização em Botânica de Plantas Ornamentais e mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente, é vice-presidente da Federação Orquidófila de Santa Catarina. Conversando com a presidente Vera Coelho, ele falou de seu orquidário e de sua atuação no campo da Orquidofilia. Vera Lúcia Matos Coelho [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Marcelo Vieira Nascimento é geólogo, tem especialização em Botânica de Plantas Ornamentais e mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente, é vice-presidente da Federação Orquidófila de Santa Catarina. Conversando com a presidente Vera Coelho, ele falou de seu orquidário e de sua atuação no campo da Orquidofilia.</p>
<p><strong>Vera Lúcia Matos Coelho</strong> &#8211; Fale, inicialmente, de seu orquidário.</p>
<p><strong>Marcelo Vieira Nascimento </strong>- Meu orquidário, de 400 m2, pode ser considerado uma semiestufa. As paredes laterais têm sombrite com 50%, na cor preta. A altura total (1o pé direito) é de cinco metros. É onde está instalada a cobertura final, na forma de semiarco, coberta com plástico semileitoso, para filtrar os raios solares. A três metros (2o pé direito) do piso do orquidário foi colocado um sombrite com 70%, na cor preta, cobrindo toda a área. O piso é todo de brita 3/4. Abaixo desse piso, mandei fazer um sistema de irrigação (subterrânea), que é ligado durante o verão e somente a cada três dias, mantendo assim a umidade do orquidário, sem molhar as plantas. Acima do primeiro pé direito, há um sistema de irrigação programada para as orquídeas, que é acionado automaticamente, a cada estação do ano, formando uma nuvem úmida. A água usada no orquidário é exclusivamente de chuva, que é acondicionada em reservatório de 3.000 litros, que abastece três caixas d’água de 300 litros, cada uma com uma função específica: a primeira para regar, a segunda para adubar e a terceira com inseticida e fungicida, que são usados em dias diferentes.</p>
<p><strong>VLMC</strong> &#8211; Pela descrição, seu orquidário é um sonho&#8230; Algum outro detalhe que deixou de mencionar?<span id="more-2460"></span></p>
<p><strong>MVN</strong> &#8211; No interior do orqui-dário, mandei construir um lago de 50 m2, com uma grande variedade de peixes ornamentais e plantas aquáticas, proporcionando uma boa umidade ambiente.</p>
<p><strong>VLMC</strong> &#8211; Que nome deu ao orquidário?</p>
<p><strong>MVN </strong>- Por minha formação religiosa e prestando uma homenagem ao antigo nome do Município, dei-lhe o nome de Nossa Senhora do Desterro.</p>
<p><strong>VLMC</strong> &#8211; Com um orquidário como esse, com certeza tem ótimas espécies.</p>
<p><strong>MVN &#8211; </strong>Sim, tenho 6.500 orquídeas, na sua maioria espécies, como <em>Cattleya, Laelia, Vanda</em> e microorquídeas.</p>
<p><strong>VLMC</strong> &#8211; Daria para revelar as preferidas?</p>
<p><strong>MVN </strong>- A <em>Cattleya walkeriana</em> e a <em>Cattleya schilleriana</em> são as minhas preferidas, por terem flores menores e que duram mais tempo.</p>
<p><strong>VLMC</strong> &#8211; Algum orquidófilo o influenciou na Orquidofilia?</p>
<p><strong>MVN </strong>- Desde os 10 anos de idade, tive contato com grandes nomes da Orquidofilia, como o Prof. Nereu do Vale Pereira, Antonio Laras Ribas, Pe. Raulino Reitz, Cláudio Dechamps e Francisco Miranda. Desde então, me dediquei ao estudo dos livros, começando com “Orquídeas &#8211; Guia do Orquidófilo”. Hoje, tenho 1.500 em minha biblioteca.</p>
<p><strong>VLMC</strong> &#8211; Como funcionário público, de que forma contribuiu na Orquidofilia de seu Estado?</p>
<p><strong>MVN </strong>- Contribuí dando redação às leis que foram aprovadas, como a Lei no 6255, de 21 de junho de 1983, que considera a <em>Laelia purpurata</em> a flor símbolo de Santa Catarina; a Lei no 8479, de 20 de dezembro de 2010, que instituiu o Dia Municipal do Orquidófilo, a ser comemorado anualmente, no dia 22 de junho; e a Lei no 8469, de 09 de dezembro de 2010, que denominou de “Antonio de Lara Ribas” o orquidário municipal de Florianópolis.</p>
<p><strong>VLMC -</strong> Algum projeto para este ano, que possa adiantar?</p>
<p><strong>MVN -</strong> Por trabalhar na Prefeitura Municipal de Florianópolis, onde exerço minhas atividades no Bosque Pedro Medeiros, uma área de Mata Atlântica, estamos desenvolvendo vários trabalhos, como um pequeno orquidário, um observatório de pássaros e a reintrodução de 1.500 orquídeas. Vamos transformá-lo no Bosque das Orquídeas.</p>
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		<title>Entrevistas da ACEO &#8211; Nº 16: Maria do Rosário e o movimento para salvar nossas orquídeas</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 13:09:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ex-Presidente de uma das mais atuantes entidades orquidófilas do Brasil – a OrquidaRio – Maria do Rosário de Almeida Braga conversa com Juliana Coelho, Diretora de Eventos da Associação Cearense de Orquidófilos. No depoimento, aqui reproduzido na íntegra, ela fala de sua preocupação com a preservação das orquídeas no ambiente natural e do papel das [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<p></p><p><span class="drop_cap">E</span>x-Presidente de uma das mais atuantes entidades orquidófilas do Brasil – a OrquidaRio – Maria do Rosário de Almeida Braga conversa com Juliana Coelho, Diretora de Eventos da Associação Cearense de Orquidófilos. No depoimento, aqui reproduzido na íntegra, ela fala de sua preocupação com a preservação das orquídeas no ambiente natural e do papel das associações no campo da educação ambiental. Também conta a história do Orquidário Quinta do Lago, hoje fechado, mas onde as plantas &#8220;estão mais lindas do que nunca&#8221;.</p>
<p><strong>Associação Cearense de Orquidófilos:</strong> Quando aconteceu seu primeiro encontro com as orquídeas? Como foi seu envolvimento com esse universo?</p>
<p><strong>Maria do Rosário de Almeida Braga:</strong> Foi em setembro de 1994. O Orquidário Quinta do Lago, que já existia desde 1990, estava se preparando para participar de uma exposição no Museu de Arte Moderna, no Rio. Fiquei completamente encantada com a beleza da floração de setembro.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> Na presidência da OrquidaRio, você se preocupou muito com a preservação ambiental e, em especial, das orquídeas em seu habitat. Fale-nos sobre a REGUA, esse projeto que teve como parceiro a San Diego County Orchid Society.<span id="more-922"></span></p>
<p><strong>Maria do Rosário:</strong> Durante o II Congresso Internacional sobre Conservação de Orquídeas, na palestra inicial, o Dr. S. Pimm, ecólogo especialista em aves, perguntou à plateia se sabíamos onde estavam distribuídas as nossas orquídeas, para que pudéssemos conservá-las. Logo depois, tomei conhecimento do projeto da Reserva Ecológica de Guapiaçu (REGUA), no município de Cachoeira de Macacu, RJ. A área, contínua ao Parque Estadual Três Picos, estava sendo conservada, principalmente, por causa da rica fauna de aves e nada se conhecia sobre suas orquídeas. Em 2006, já eleita Presidente da OrquidaRio, fui, com um grupo de associados interessados em conservação, visitar a reserva. Pela caminhada que demos, decidimos que seria viável submeter um projeto ao Comitê de Conservação da San Diego County Orchid Society. O projeto foi aprovado e, com o apoio financeiro que pedimos, organizamos 12 viagens à REGUA para realizarmos o levantamento das orquídeas. Foi uma experiência interessante para a OrquidaRio. Ficamos orgulhosos em saber que o modelo está sempre inspirando projetos em outros estados.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> O projeto da Ilha Grande tem o mesmo escopo do da Reserva Ecológica de Guapiaçu?</p>
<p><strong>Maria do Rosário:</strong> Sim, tem. Na REGUA, como na Ilha Grande, estamos realizando o levantamento das orquídeas da área. Só que a Ilha Grande tem uma área maior e nosso estudo, com apenas seis viagens programadas, vai ser menos abrangente. Outra diferença é que grande parte da Ilha Grande está em unidades de conservação administradas pelo Estado, enquanto na REGUA a reserva é particular. Temos que lidar com mais entraves burocráticos desta vez.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> Além da divulgação da orquidofilia e da necessidade de proteção da natureza, na sua visão, quais são as contribuições que uma associação orquidófila pode trazer à sociedade?</p>
<p><strong>Maria do Rosário:</strong> Educação. Acredito que as associações devem e podem ter um papel muito importante em educar pessoas de todas as idades. Propagarmos o cultivo das orquídeas é o começo. E isso pode &#8220;puxar&#8221; vários outros assuntos correlatos, incluindo os do campo da educação ambiental.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> Por que é interessante que um orquidófilo se integre a uma associação orquidófila?</p>
<p><strong>Maria do Rosário:</strong> Porque é sempre interessante fazermos parte de um grupo com interesses em comum. Crescemos mais depressa do que &#8220;batendo a cabeça&#8221; sozinhos. Várias atividades da associação irão contribuir para conhecermos sempre um pouco mais sobre as orquídeas.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> Quando despertei para a orquidofilia, lembro que o Orquidário Quinta do Lago era uma referência no mercado, pela diversidade e qualidade de suas plantas. Atualmente, ele não opera mais comercialmente. Conte-nos um pouco dessa história. Por que a decisão de fechar?</p>
<p><strong>Maria do Rosário:</strong> O Orquidário Quinta do Lago iniciou suas atividades comerciais em 1990. Foi fundado por meu pai, João Carlos de Almeida Braga, que convidou para ser seu sócio, ajudando com a parte técnica, o Flávio Cardim, que havia trabalhado no Orquidário Binot por várias décadas. Não foi um negócio com planejamento inicial, que hoje sabemos que é essencial. Nessa época, eu morava com minha família no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, em São Paulo, e era pesquisadora científica do Estado de São Paulo, trabalhando como Botânica Marinha. O orquidário foi crescendo e ficando conhecido. No início da década de 90, Petrópolis era uma região importante na orquidofilia nacional e nos beneficiamos com isso. Nos anos seguintes, o eixo principal da produção de orquídeas no Brasil transferiu-se quase completamente para São Paulo. Em setembro de 1994, resolvi aceitar o convite de meu pai para trabalhar no orquidário. E me apaixonei, sem conhecer nada de orquídeas, e trazendo um grande interesse em conservação. Esse ano de 94 coincidiu com o ano em que o orquidário parou de comprar plantas de mateiros. Em 1996, ano da exposição muncial no Rio, inauguramos o nosso laboratório, onde o meu maior objetivo sempre foi reproduzir espécies brasileiras, principalmente as da Mata Atlântica. O orquidário foi crescendo, participando de muitas exposições no País todo, exportando para vários países, tornando-se querido por muitos, pois o bom atendimento aos clientes e a qualidade das plantas vendidas eram prioridades. O Flávio Cardim, com quem aprendemos muito, aposentou-se em 2000. Eu sempre morando no Rio e com três filhos, subia e descia de Petrópolis semanalmente. Passamos a ter que ir a São Paulo, a cada duas semanas, para comprar plantas floridas para nossas duas lojas. Em dezembro de 2002, tivemos uma grande enchente, com prejuízos. Em 2003, fui morar fora, com a família, por 18 meses. Na volta, constatei que muita coisa no cultivo e comércio das orquídeas havia mudado no País todo e não estávamos conseguindo acompanhar. O orquidário não estava dando lucro &#8211; e isso é sempre importante para o sucesso de um negócio. Resolvi, então, fazer uma grande liquidação, para diminuir bem a quantidade de plantas. Isso aconteceu em julho de 2004 e, em agosto, fechamos a parte comercial do Orquidário Quinta do Lago. Durante os últimos cinco anos, nosso laboratório está &#8220;hibernando&#8221;, mas continua ativo e tivemos mais tempo para cuidar das muitas plantas que ainda cultivamos.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> Há planos para reativar a área comercial do Quinta do Lago?</p>
<p><strong>Maria do Rosário:</strong> Isto só o tempo dirá. A partir de 2010, estarei focando mais no orquidário. Se valer a pena financeiramente reabri-lo para o comércio, é possível que aconteça. As plantas que continuam sob nossos cuidados estão mais lindas do que nunca.</p>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 20:24:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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	<p class="wp-caption-text">Entre albas, semialbas e flores tipo, Ângelo contabiliza a floração da semana no labiatário.</p>
</div>
<p><span class="drop_cap">A</span> esposa Katia e as filhas Carol e Vitória são, no coração do Dr. Benedito Ângelo Lo Ré, as únicas paixões mais fortes do que as orquídeas. Ginecologista, obstetra e também auditor, ele reside em Serra Negra, interior de São Paulo, e é um dos mais respeitados nomes da orquidofilia brasileira, assumindo, sem disfaces, a condição de &#8220;labiateiro&#8221; inveterado. Aqui, transcrevemos sua entrevista ao &#8220;Boletim ACEO&#8221;.</p>
<p><strong>Associação Cearense de Orquidófilos</strong>: O amor dispensa explicações. Mesmo assim, tente explicar sua paixão pela <em>Cattleya labiata</em>.</p>
<p><strong>Ângelo Lo Ré:</strong> Como foi dito na pergunta, sem explicações. Mas vou tentar. No começo é aquela febre, a gente coleciona até capim com cara de orquídea. Meu começo, na verdade, não teve uma data marcante. Meu pai sempre cultivou orquídeas. Hoje, com 84 anos, cuida de todas as suas plantas diariamente. Foi assim que eu cresci, vendo orquídeas, cuidando de orquídeas. Com o decorrer dos anos, casei-me e construí meu próprio orquidário. Acredito que, há cinco anos, comecei a enxergar algo mágico nas labiatas. Talvez eu sempre as visse, mas não as enxergava. Foi admirando os desenhos do labelo e, principalmente, notando as diferenças, que a paixão começou. Paixão, diga-se de passagem, com cara e toda pinta de alucinação. Comprei lotes. Coleções mesmo, daquelas de fazer lista, e indo atrás de cada uma. Como gosto de estudar, não comprei só labiatas, mas também livros. Vários deles. Aí a paixão aumentou. Juntos, a coleção e o estudo fizeram de mim um labiateiro. Anos a fio lendo, cuidando, estudando e conversando muito com os criadores.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> E o que você descobriu na <em>Cattleya labiata</em>?</p>
<p><span id="more-865"></span><strong>Ângelo:</strong> O que a <em>labiata </em>me ensinou foi muito mais sobre ela mesma, foi sobre a orquidofilia e a orquidologia. Através da <em>labiata </em>fiz amigos. Posso dizer que, por causa da <em>labiata</em>, praticamente entrei no mundo da orquidofilia de verdade.</p>
<div id="attachment_869" class="wp-caption alignnone" style="width: 300px">
	<a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-Rubra.jpg"><img class="size-medium wp-image-869  colorbox-865" title="Cattleya labiata rubra" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-Rubra-300x200.jpg" alt="Cattleya labiata rubra. Mas bem que poderia ser chamada de incandescente." width="300" height="200" /></a>
	<p class="wp-caption-text">Cattleya labiata rubra. Aliás, maravilhosamente rubra. E bem armada (clique nas fotos para ampliar).</p>
</div>
<p><strong>ACEO:</strong> A <em>labiata </em>já o levou a conhecer lugares e pessoas<em>?</em></p>
<p><strong>Ângelo:</strong> Estando uma vez em Fortaleza, não pude deixar de ir à casa de Vera Coelho, onde pude ver, finalmente, a <em>Cattleya labiata </em>Lindley, a mesma que eu tanto estudava, em seu próprio habitat. Esse é só um exemplo. Sempre digo a todos os meus amigos que estão iniciando ou já iniciados na orquidofilia: não olhem para as labiatas. Não comprem labiatas. Vocês não sabem o perigo em que estão se metendo. Aliás, nunca vi uma verdade tão grande como a da lenda da orquídea: a <em>labiata </em>é como a jovem Hoan-Lan, que se divertia em fazer penar seus admiradores. Quem quiser enveredar pelo caminho da <em>labiata</em>, que se sinta avisado: você não descansará até ter a última variedade da estamparia do labelo, ou a cor mais diferente das pétalas e sépalas.</p>
<div id="attachment_870" class="wp-caption alignnone" style="width: 300px">
	<a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-Perola-Nicolau.jpg"><img class="size-medium wp-image-870  colorbox-865" title="Perola Nicolau" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-Perola-Nicolau-300x200.jpg" alt="Como se não bastasse a magnífica forma, esta &quot;pérola&quot; ainda se permite misteriosas cintilações." width="300" height="200" /></a>
	<p class="wp-caption-text">Como se não bastasse a magnífica forma, esta &quot;pérola&quot; ainda se permite misteriosas cintilações.</p>
</div>
<p><strong>ACEO:</strong> O que cultiva, em seu orquidário, além da <em>Cattleya labiata</em>?</p>
<p><strong>Ângelo:</strong> No meu orquidário, tenho espaço para Laelias purpuratas, Cattleyas intermedias, algumas Encyclias e alguns híbridos. Mas, de uns dois anos para cá, venho dedicando-me (e que me perdoem as labiatas) à tribo das Vandáceas. As Vandáceas são plantas exclusivamente monopodiais, que possuem três subtribos: a <em>Angraecinae</em>, a <em>Aerangidinae </em>e a <em>Aeridinae</em>. Essa tribo ocorre desde o Leste da África até a Ásia, passando por Butão, Mianmar, Índia, Tailândia, Malásia, China, Japão e Oceania. O mais interessante está justamente na dificuldade de fazê-la florir. É sempre assim: se envolve estudo e dificuldade, o orquidófilo gosta mais. As plantas da tribo <em>Vandaceae </em>mais encontradas no Brasil são: <em>Aeranthes, Aerides, Angraecum, Arachnis, Ascocentrum, Euanthe, Papilionanthe, Renanthera, Rynchostylis </em>e, principalmente, a <em>Vanda</em>. Não poderíamos deixar de fora o híbrido mais popular: a <em>Ascocenda </em>(<em>Ascocentrum </em>x <em>Vanda</em>).</p>
<div id="attachment_871" class="wp-caption alignnone" style="width: 252px">
	<a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-Angraecum-compactum-closed-2007.jpg"><img class="size-medium wp-image-871  colorbox-865" title="Angraecum compactum closed 2007" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-Angraecum-compactum-closed-2007-252x300.jpg" alt="De repente, entre as Cattleya do Doutor, surge a brancura de um Angraecum." width="252" height="300" /></a>
	<p class="wp-caption-text">De repente, entre as Cattleya do Doutor, surge a brancura de um Angraecum.</p>
</div>
<p><strong>ACEO:</strong> Como você cultiva suas labiatas? Utiliza alguma prática especial?</p>
<p><strong>Ângelo:</strong> Vamos começar do começo. Seedlings de labiata devem ser primeiramente cultivados em cachepot de madeira. Até hoje, não entendi exatamente o motivo, mas eles crescem muito rápido se colocados em cachepot. Já mais crescidinhas, então costumo colocar as labiatas em cachepot maior ou em vaso de barro. Elas gostam de temperatura mais alta, tanto é que não ocorrem no Sul do País, e sim no Nordeste. Apreciam muito o vento e a umidade. No meu orquidário, cultivo sob tela de 70%, sem telha ou plástico agrícola. Deixo que tomem chuva e sereno. Rego todos os dias, embora sem muito exagero, mas, na verdade, as labiatas, quando estão emitindo novos brotos, precisam de muita água.</p>
<div id="attachment_872" class="wp-caption alignnone" style="width: 300px">
	<a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-V.-Rothscildiana-Suzuki-X-V.Sunray-blue-X-V.-Miss-Thailand.jpg"><img class="size-medium wp-image-872  colorbox-865" title="V. Rothscildiana Suzuki X (V.Sunray blue X V. Miss Thailand)" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/12/Angelo-V.-Rothscildiana-Suzuki-X-V.Sunray-blue-X-V.-Miss-Thailand-300x200.jpg" alt="As Vandas são uma paixão recente. E mais do que justificada." width="300" height="200" /></a>
	<p class="wp-caption-text">As Vandas são uma paixão recente. E mais do que justificada.</p>
</div>
<p><strong>ACEO:</strong> E quanto à adubação, substratos, regas&#8230; da <em>C. labiata</em>?</p>
<p><strong>Ângelo:</strong> Com relação à umidade, em meu orquidário cultivo as labiatas em varais, ou seja, suspensas. Sob as plantas, mantenho pequenas e rasas piscinas, feitas de azulejo. Dentro se tem areia, argila expandida e plantas aquáticas. Isso garante farta umidade sob as plantas. Quanto à adubação, acredito que as labiatas necessitam e agradecem. Utilizo quase que semanalmente uma mistura de Biofert Plus* (5 ml por litro) e Complexo B (3 gotas por litro). Já nos vasos, faço meu próprio Bokashi, em forma de pelets, que vão desmanchando muito devagar. Cada bolota de Bokashi dura até dois meses para sumir. Quanto a substrato, não tem jeito, o melhor mesmo é o xaxim. Pena que não exista ainda um plantio sustentável da <em>Dicksonia sellowiana</em>. Como medida mais do que justa, o Estado de São Paulo proibiu a comercialização do xaxim. Então, não tendo outra opção, estou usando o coco, em forma de cubinhos, com pequenos pedaços de carvão. O coco não compacta a planta no vaso e ela acaba ficando solta. Por isso, misturo um pouco de esfagno, que dá alguma sustentação. Não dispenso o uso de casca de <em>Pinnus </em>na mistura. As labiatas sofrem muito com cochonilhas, pelo menos na minha região, que é muito fria. Por isso, mensalmente uso defensivo agrícola. Como sou totalmente contra o uso de organo-fosforados ou clorados, gosto muito dos piretróides. Tenho usado um produto chamado Karate* (Lambdacyhalothrin), cerca de 1 ml por litro.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> Fale dos esforços para se criar uma classificação cromática da flor e configuracional do labelo da <em>C. labiata</em>, em âmbito nacional.</p>
<p><strong>Ângelo:</strong> Não é nada fácil tentar montar e organizar uma classificação nacional. Existem vários fatores que atrapalham. Por exemplo, a distância (que é superada pela Internet) mas, principalmente, o mais difícil está em convencer alguns “orquidófilos” de que a classificação deve ser democrática. Tem orquidófilo que quer o júbilo de fazê-la sozinho, como se estivesse com isso ganhando fama, dinheiro ou sei lá&#8230; Sinceramente, não entendo por que pessoas querem fazer uma classificação sem que outras ajudem e até mesmo se negam a participar de um grupo que democraticamente quer trabalhar junto. Um fator também importante é que existem muitas diferenças entre as denominações nos vários Estados, principalmente no Sul do País. Mas, enfim, estamos caminhando e, se tudo der certo, em breve vamos ter uma classificação nacional. Embora existam orquidófilos tremendamente narcisistas, encontrei nesse árduo caminho pessoas despojadas de egocentrismo, gentis e prontas a ajudar. São orquidófilos que, acima de tudo, amam a <em>C. labiata </em>e o seu estudo e não estão preocupados em ter seu nome à frente da classificação.</p>
<p><strong>ACEO:</strong> O que há de errado e quais são os méritos da orquidofilia brasileira?</p>
<p><strong>Ângelo:</strong> O grande mérito, sem dúvida, é ter os grandes fóruns de debates. As listas, que no começo eram só uma maneira de bater papo, hoje são uma grande fonte de cultura, conhecimento e amizades. Não tenho dúvidas de que a orquidofilia brasileira é hoje uma grande família. Aliás, diga-se de passagem que o Brasil possui os maiores fóruns de debates do mundo. Já pelo lado da orquidologia, acho que temos falta de livros. Escreve-se muito pouco. A maioria das informações chega de boca em boca e essa é a forma mais fácil de propagar uma inverdade. Notam-se nas bancas muitas revistas de fotos, às vezes com nomes errados. Vendo essas revistas, puramente de fotos de orquídeas, tenho a sensação que transmitem ao orquidófilo muito mais a paixão por outra arte, que é a fotografia. Precisamos de livros, precisamos que mais e mais orquidófilos escrevam, principalmente sobre as nossas plantas. Tomemos por exemplo a <em>Cattleya labiata. </em>Quantos livros existem para essa planta? Dois ou três e nada mais. Outra crítica que se vê facilmente é a produção de híbridos nacionais, entenda-se aqui, feitos com matrizes de plantas puramente nacionais. Não há uma tradição muito forte na criação de híbridos, excetuando-se, é claro, pouquíssimos serviços, como, por exemplo, a Nobile Flores. Por outro lado, existem vários produtores fazendo híbridos com <em>Phalaenopsis</em>. Mas isso os tailandeses já fazem há anos. Outro assunto relativo à orquidofilia são as exposições, pois estão diretamente relacionadas às atividades da orquidofilia, incentivando encontros, troca de informações, muita amizade e negócios. Quanto a exposições, notamos que o poder público pouco ajuda. Não há, no Brasil, de forma alguma, incentivo do poder público para as exposições, que propagam o bom nome da cidade e da região, trazem turistas e divisas. Acredito que as prefeituras deveriam incentivar as exposições.</p>
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		<title>As entrevistas da ACEO &#8211; nº 14: Maria Rita e sua paixão pelas micros</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 17:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[  Plantas se aninham num carro de boi e em velho tronco de árvore.   Acianthera pectinata alba e Carinidium dasystyle.   Cattleya labiata e Anacheilium cochleatum. Maria Rita Cabral: médica, mãe, avó, orquidófila. Apaixonada pelas micro-orquídeas, nesta conversa com a vice-presidente da ACEO, Vera Coelho, ela conta como se divide entre os compromissos familiares [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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			<content:encoded><![CDATA[<p></p><p><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-orquidario.jpg" title="maria-rita-orquidario.jpg"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-orquidario.thumbnail.jpg" alt="maria-rita-orquidario.jpg" height="240" style="width: 215px; height: 162px" class="imageframe colorbox-568" /></a>  <a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-orquidario-02.jpg" title="maria-rita-orquidario-02.jpg"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-orquidario-02.thumbnail.jpg" alt="maria-rita-orquidario-02.jpg" height="240" style="width: 217px; height: 161px" class="imageframe colorbox-568" /></a></p>
<p><strong><font color="#0000ff">Plantas se aninham num carro de boi e em velho tronco de árvore.</font></strong></p>
<p><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-acianthera-pectinata-alba.jpg" title="maria-rita-acianthera-pectinata-alba.jpg"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-acianthera-pectinata-alba.thumbnail.jpg" alt="maria-rita-acianthera-pectinata-alba.jpg" height="130" style="width: 292px; height: 109px" class="imageframe colorbox-568" /></a>  <a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-carenidium-dasystyle.jpg" title="maria-rita-carenidium-dasystyle.jpg"><img width="305" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-carenidium-dasystyle.jpg" alt="maria-rita-carenidium-dasystyle.jpg" height="400" style="width: 143px; height: 189px" class="imageframe colorbox-568" /></a></p>
<p><strong><font color="#0000ff"><em>Acianthera pectinata</em> alba e <em>Carinidium dasystyle</em>.</font></strong></p>
<p><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-orquidario-03.jpg" title="maria-rita-orquidario-03.jpg"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-orquidario-03.thumbnail.jpg" alt="maria-rita-orquidario-03.jpg" height="421" style="width: 229px; height: 303px" class="imageframe colorbox-568" /></a>  <a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-anacheilium-cochleatum.jpg" title="maria-rita-anacheilium-cochleatum.jpg"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/07/maria-rita-anacheilium-cochleatum.thumbnail.jpg" alt="maria-rita-anacheilium-cochleatum.jpg" height="360" style="width: 205px; height: 243px" class="imageframe colorbox-568" /></a></p>
<p><strong><font color="#0000ff"><em>Cattleya labiata</em> e <em>Anacheilium cochleatum.</em></font></strong></p>
<p>Maria Rita Cabral: médica, mãe, avó, orquidófila. Apaixonada pelas micro-orquídeas, nesta conversa com a vice-presidente da ACEO, Vera Coelho, ela conta como se divide entre os compromissos familiares e as flores, que cultiva, principalmente, em árvores e em velhos troncos que encontra à margem das estradas. Conhecida no mundo orquidófilo como &#8220;a mãe leoa&#8221;, Rita mora no Rio de Janeiro e cultiva suas orquídeas em Paty do Alferes, na região serrana.</p>
<p><strong>ACEO &#8211; </strong>Fale-nos, de início, sobre a Maria Rita mãe, avó, esposa, mulher.</p>
<p><strong>Maria Rita Cabral &#8211; </strong>Formei-me em Medicina, cliniquei por pouco tempo, depois da pós-graduação. Então, com três filhos adolescentes e um na barriga, vi o marido ser transferido para São Paulo, com a indicação de depois ir para o exterior. Optei por abandonar a Medicina e criar meus filhos com carinho, ajudando o marido. Não me arrependi e tampouco fiquei falando só em vassouras e fogão (adoro cozinhar, nada contra a vida doméstica). Envolvi-me com a administração financeira de meu marido e meu sogro, cuidando dos negócios até o dia de hoje (o sogro faleceu). Quando o caçula temporão estava maiorzinho, ganhamos uma neta para criar. E começamos tudo de novo. Minha vida é uma grande alegria, com os quatro filhos, quatro noras e sete netos, junto com o marido. Gosto de estar presente em todos os bons e maus momentos de todos e meu marido diz que eles têm em mim, além da mãe e avó, uma &#8220;central de serviços&#8221;. Há cinco anos resolvi me dedicar a um estudo e, loucamente, optei pela orquidofilia. Adquiri literatura, até mais cedo que a maioria das orquídeas, fui lendo, fui entrando nas listas, aprendendo, fazendo amizades e estamos aí, orquilouca.</p>
<p><strong>ACEO &#8211; </strong>Tive oportunidade de conhecer seu cultivo, todo ao ar livre. Algum motivo especial, ou simplesmente não gosta de trancá-as em estufa?</p>
<p><strong>MRC &#8211; </strong>Quando iniciei o cultivo, coloquei logo uma carrocinha com uns vasos. Fui aumentando e o marido só dizia: &#8220;nada de estufa&#8221;. Fui estudando, vendo como poderia fazer meu orquidário sem deixá-lo triste, e fui colocando nas árvores. Estas se davam muito melhor. Fui tendo contato com a obra de Érico de Freitas Machado, com sua Florabela, e decidi cultivar em árvores e sob elas. Comprei carros de boi, fiz ripados sob as árvores e aí namorei um tronco (raíz de árvore centenária) que estava numa estrada, em meu caminho. Um dia, não resisti e pedi para comprar. O dono disse: &#8220;pague o carreto que eu levo, não lhe cobro nada&#8221;. Enchi de orquídeas e fui comprando todos os troncos grandes e bonitos que acho jogados pelos campos de minha região, e colocando as orquídeas. Hoje tenho 15 troncos enormes, oito árvores (duas nespereiras, uma amoreira, uma mangueira, um caquizeiro, um limoeiro, um manacá, uma camélia e outros arbustos). Por vezes, subo na escada para fotografar. Integrei as orquídeas ao paisagismo imaginado por meu marido. Tenho também três pequenos telados, um na saída da casa, um numa parreira velha e outro ao lado da palmeira na entrada. Neles tenho prateleiras em aramado com esquadria de madeira.</p>
<p><strong>ACEO &#8211; </strong>Sei que cultiva várias espécies, mas as micros têm sua predileção. Qual a maneira adequada de cultivá-las?</p>
<p><strong>MRC &#8211; </strong>A grande maioria está nos troncos das árvores (nespereiras, principalmente) e nos limoeiros, manacá e camélia. Os galhos finos ajudam muito. O que tenho em vaso, tento colocar sobre um prato grande de plástico, furado, com areia e pedrinhas. Aí mantenho a umidade. Pequenos toquinhos, pedaços de corticeira, pequenas sapucaias também podem ser lugar para elas. Tento manter bromélias ao redor e molho muito o gramado, para a umidade ficar perfeita. Paty, onde estão minhas orquídeas, tem sereno quase o ano todo. A diferença de temperatura entre o dia e a noite também ajuda muito as micros e todas as outras. Num verão chuvoso como este, só aquelas que estão em vaso e cachepot sofrem. O que está em árvore e troncos não reclama.</p>
<p><strong>ACEO &#8211; </strong>Dentre tantas plantas, existe alguma especial? Por quê?</p>
<p><strong>MRC &#8211; </strong>Acho que tenho uma predileção por <em>Maxillariinae</em> (elas entouceiram muito e são muito floríferas) e pela <em>Acianthera pectinata </em>alba. Aquela folha enorme, bonita, com uma concavidade incrível, me encanta. Também pelas miudinhas que me obrigam a trocar de óculos e, por vezes, até usar uma lupa para poder observá-las, me enlouquecem. Ver a palmeira cheia de <em>Cattleya labiata, </em>também me alegra. Acho que gosto de tudo. Não estou mais cultivando híbridos, a não ser os que recebo de presente e alguns que adquiri do Jorge Luiz, do Itaorchids.</p>
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		<title>As entrevistas da ACEO &#8211; nº 13: Humberto Epiphanio fala das orquídeas e de Rio Claro</title>
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		<pubDate>Sat, 16 May 2009 08:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[  Humberto Antonio Epiphanio é médico, na cidade de Rio Claro/SP, e ex-Presidente do Círculo Rioclarense de Orquidófilos, fundado a 30 de julho de 1954. &#8220;Com certeza, é uma loucura, uma loucura prazerosa. A orquídea tem o dom de magnetizar as pessoas, não é uma flor como as outras&#8221;, assim ele explica sua paixão pelas [...]<h4>Leia também estas matérias:</h4><ul>
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<p>Humberto Antonio Epiphanio é médico, na cidade de Rio Claro/SP, e ex-Presidente do Círculo Rioclarense de Orquidófilos, fundado a 30 de julho de 1954. &#8220;Com certeza, é uma loucura, uma loucura prazerosa. A orquídea tem o dom de magnetizar as pessoas, não é uma flor como as outras&#8221;, assim ele explica sua paixão pelas orquidáceas. E complementa: &#8220;Nesse mundo moderno, cheio de pressões e cobranças, cultivar orquídeas é a maneira mais correta de se equilibrar. Uma orquídea a mais, um remédio e um psiquiatra a menos.&#8221;</p>
<p>Humberto tirou um tempinho de sua agenda e bateu um papo com Vera Coelho, Vice-Presidente da ACEO. Segue-se a transcrição da conversa:</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Como e de que maneira começou sua relação com as orquídeas?</p>
<p><strong>Humberto Antonio Epiphanio</strong> &#8211; Há 20 anos, decidi fazer uma homenagem a minha avó, que foi proprietária de uma das mais antigas e tradicionais floriculturas de Rio Claro. Fui ao orquidário do Aniel Carnier e comprei cinco vasos de orquídeas. Coloquei sua foto e uma placa com sua assinatura e tomamos mais de cinco cervejas. Continuo comprando orquídeas até hoje.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- O Orquidário Humberto Epiphanio é referência mundial em termos de boas e belas orquídeas. Qual é sua história?</p>
<p><strong>HAE</strong> &#8211; Absolutamente, meu orquidário não é referência mundial. Longe disso! Sou mais um apaixonado do que um grande &#8220;entendedor&#8221; de orquídeas. Digo sempre que o maior prazer, acima até do produto final &#8211; a flor -, é o contato que o cultivo de orquídeas nos oferece.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Gostaríamos que falasse sobre a relação da cidade de Rio Claro com as orquídeas.</p>
<p><strong>HAE</strong> &#8211; Como já disse, minha história na orquidofilia é relativamente recente (apenas 20 anos), mas aqui, em Rio Claro, até por uma colonização européia, alguns descendentes (Hoffmann, Wenzel, Welhmuth, entre outros) iniciaram um movimento no sentido da criação de uma sociedade que se mantém até hoje em atividade ininterrupta (55 anos) e que serviu de base para movimentos mais amplos, de abrangência nacional.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Por que a exposição de orquídeas de Rio Claro, promovida pelo Círculo Rioclarense de Orquidófilos, é considerada a maior e melhor do Brasil?</p>
<p><strong>HAE</strong> &#8211; Com certeza, pela sua organização, pelo comprometimento de seus associados nessa empreitada e pela colocação das pessoas certas na execução do evento. Nos últimos anos, o cargo foi ocupado pelo orquidófilo Roberto Ferreira, com muita competência. Claro, não poderíamos deixar de destacar a amizade e o carinho dos amigos que participam do nosso encontro.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Em junho, a cidade de Rio Claro se torna a &#8220;Capital Brasileira das Orquídeas&#8221;. No seu entendimento, qual a razão para que orquidófilos de todas as partes do mundo sejam atraídos por essa exposição?</p>
<p><strong>HAE</strong> &#8211; É sempre nossa expectativa e fazemos tudo para que isso aconteça. Todos os orquidários, além de nossa principal exposição, se preparam para receber os visitantes.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Rio Claro é destaque em termos de grandes orquidários. É possível viver em harmonia ou existe uma competitividade comercial entre eles?</p>
<p><strong>HAE </strong>- Estaria sendo hipócrita em dizer que existe uma harmonia total entre todos os orquidários. Nossa expectativa é que todos se respeitem. Acontece em todos os setores da atividade humana, por que não iria acontecer na orquidofilia rioclarense?</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; O que a 65ª Exposição de Orquídeas reserva para este ano?</p>
<p><strong>HAE </strong>- Todo o empenho possível para que haja pelo menos o mesmo número de entidades expositoras e o maior número de flores possíveis, com grande congraçamento entre os orquidófilos. E que ela se constitua, uma vez mais, num encontro inesquecível.</p>
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		<title>As entrevistas da ACEO &#8211; nº 12: Eduardo Dieter Mucke &#8211; a alegria e o prazer de cultivar Vandas</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 08:25:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p></p><p> <a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-01.JPG" title="orquidario-santa-barbara-01.JPG"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-01.thumbnail.JPG" alt="orquidario-santa-barbara-01.JPG" height="221" style="width: 412px; height: 258px" class="imageframe colorbox-504" /></a></p>
<p><strong><font color="#0000ff">As Vandas ocupam lugar de destaque no Santa Bárbara.</font></strong></p>
<p><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-04.JPG" title="orquidario-santa-barbara-04.JPG"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-04.thumbnail.JPG" alt="orquidario-santa-barbara-04.JPG" height="283" style="width: 232px; height: 193px" class="imageframe colorbox-504" /></a>  <a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-05.JPG" title="orquidario-santa-barbara-05.JPG"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-05.thumbnail.JPG" alt="orquidario-santa-barbara-05.JPG" height="329" style="width: 217px; height: 195px" class="imageframe colorbox-504" /></a></p>
<p><strong><font color="#0000ff">A <em>C. lueddemanninana</em> (abaixo) concorre em pé de igualdade.</font></strong></p>
<p><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-02-c-lueddemanniana-aquila-x-vanir-roder.JPG" title="orquidario-santa-barbara-02-c-lueddemanniana-aquila-x-vanir-roder.JPG"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-02-c-lueddemanniana-aquila-x-vanir-roder.thumbnail.JPG" alt="orquidario-santa-barbara-02-c-lueddemanniana-aquila-x-vanir-roder.JPG" height="344" style="width: 225px; height: 226px" class="imageframe colorbox-504" /></a>  <a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-03-c-lueddemanniana-caerulea.JPG" title="orquidario-santa-barbara-03-c-lueddemanniana-caerulea.JPG"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/04/orquidario-santa-barbara-03-c-lueddemanniana-caerulea.thumbnail.JPG" alt="orquidario-santa-barbara-03-c-lueddemanniana-caerulea.JPG" height="364" style="width: 221px; height: 226px" class="imageframe colorbox-504" /></a></p>
<p>Para ele, cultivar Vandas só lhe traz alegria e prazer. Eduardo Dieter Mucke, nascido em São Paulo, descendente de alemães, cultiva orquídeas comercialmente, em Santa Bárbara d&#8217;Oeste, no interior paulista. Foi ali que instalou o Orquidário Santa Bárbara, um dos mais conceituados do País e que acaba de estabelecer parceria com a Associação Cearense de Orquidófilos &#8211; ACEO. Nesta entrevista, concedida a Vera Coelho, ele fala de como vem trilhando, há décadas, os caminhos da orquidofilia.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Como nasceu sua paixão pelas orquídeas?</p>
<p><strong>Eduardo Dieter Mucke</strong> &#8211;  Tudo começou quando passei a caminhar pelas matas intocadas pelo homem. A natureza pura é sempre muito bonita. Nessas andanças, apreciava as árvores com muitas orquídeas floridas e elas me fascinavam. Aprendi muito cedo com a natureza, observando como cada planta se desenvolvia. Na década de 80, construí uma casa em Santa Bárbara d&#8217;Oeste e, num pequeno espaço de 8 m2, fiz um &#8220;puxadinho&#8221; para abrigar minha modesta coleção. Nesse hobby, como quase todo orquidófilo, fui comprando mais e mais. Quando me dei conta, o espaço era insuficiente para acomodar tantas plantas. Fiz outros &#8220;puxadinhos&#8221;, até que surgiu a primeira estufa, com 105 m2. Adquiri muitos exemplares bons, que chamavam a atenção dos amigos.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Como surgiu o Orquidário Santa Bárbara?</p>
<p><strong>EDM</strong> &#8211; Com o incentivo da esposa e dos amigos, além de excelentes matrizes, comprei o terreno vizinho a minha casa e foi lá que surgiu o Orquidário Santa Bárbara, hoje com 50 estufas, situadas em quatro diferentes áreas, onde passei a comercializar <em>Cattleya </em>e híbridos de <em>Cattleya</em>, inicialmente, e a importar orquídeas de Taiwan, quando, na época (1991), a importação era mais simples. Nesse meio tempo, comecei a investir também em espécies. Adquiri de um orquidófilo, que trouxe da Venezuela, algumas <em>Cattleya lueddemanniana</em> muito bonitas e hoje temos uma excelente coleção, com cruzamentos excepcionais. Há oito anos, em 2001, fui à Tailândia com o César Wenzel, orquidófilo de Rio Claro, em busca de novas espécies de <em>Cattleya</em>, que não existiam no Brasil. Fiquei, no entanto, encantado com as Vandas, pois a Tailândia é o celeiro mundial dessas plantas. Comparando com o clima brasileiro, achei que elas floresceriam aqui muito bem. Adquiri algumas mudas e passei a cultivá-las.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- O Sr. tem uma predileção em termos de orquídeas?</p>
<p><strong>EDM</strong> &#8211; Minha primeira paixão foi a <em>Coelogyne pandurata</em>, de cor verde e labelo preto. Depois os híbridos de <em>Cattleya</em>, que passei a meristemar, e as Vandas, que são de uma beleza indescritível.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Fale-nos do seu cultivo de Vandas, das vantagens e desvantagens. Algum segredo guardado a sete chaves?</p>
<p><strong>EDM</strong> &#8211; Cultivar Vanda só me dá alegria e prazer. Não necessita de substrato, as raízes ficam livres e expostas ao ar. Não tem problema com lesma e caracóis, pela inexistência do substrato, consistindo isso numa grande vantagem. Outra que posso citar é a beleza e a durabilidade da flor. Não vejo nenhuma desvantagem. O segredo é adubar e molhar com regularidade. A água e o adubo foliar devem ser misturados para melhor desenvolvimento da planta.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Se fosse começar tudo de novo, começaria com orquídeas?</p>
<p><strong>EDM</strong> &#8211; Com certeza, se pudesse voltar no tempo, trabalharia somente com orquídeas, atividade prazerosa, que exige dedicação e comprometimento, mas é aquilo de que verdadeiramente gosto e o resultado só me traz felicidade.</p>
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</ul>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 10:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Italo Gurgel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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</ul>]]></description>
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<p><strong><font color="#0000ff">Waldir ministra oficina de cultivo de orquídeas, durante o II FestOrquídeas de Fortaleza. Não houve cadeiras suficientes para um público tão numeroso e muitos se sentaram no chão&#8230; sem reclamar. </font></strong></p>
<p><a href="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/01/mirian-e-waldir-03.jpg" title="mirian-e-waldir-03.jpg"><img width="320" src="http://www.orquidofilos.com/wp-content/uploads/2009/01/mirian-e-waldir-03.thumbnail.jpg" alt="mirian-e-waldir-03.jpg" height="192" class="imageframe colorbox-448" /></a></p>
<p><strong><font color="#0000ff">Na premiação do II FestOrquídeas, Waldir entrega o troféu &#8220;Labiata de Ouro&#8221; a Mirian Feijó.</font></strong></p>
<p>Um dos fundadores da Sociedade Cearense de Orquidófilos (mais tarde rebatizada de Associação Cearense de Orquidófilos &#8211; ACEO), o engenheiro agrônomo Waldir Lima Leite traz no sangue a seiva das orquídeas. Ou, mais precisamente, da <em>Cattleya labiata</em>, espécie da qual se considera &#8220;um preservador&#8221;. Paraense, criado em Pernambuco e adotado pelo Ceará, testemunha dos primeiros anos do movimento orquidófilo no Nordeste, na década de setenta, ele narra aqui um pouco dessa história e reparte sua experiência no trato das plantas.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Quem contribuiu para o surgimento da orquidofilia no Ceará?</p>
<p><strong>Waldir Lima Leite</strong> &#8211; O norte-americano Arthur Peterson foi o idealizador da Sociedade Cearense de Orquidófilos, fundada em 1977. As primeiras reuniões aconteciam na casa dele. Foi ele quem agrupou as pessoas, quem liderou naquele momento.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Como foi que a SCO atuou nos primeiros anos?<span id="more-448"></span></p>
<p><strong>WLL</strong> &#8211; Nas reuniões, conversava-se sobre orquídeas, evidentemente. Não havia exposições, não nos preocupávamos em saber quem possuía a planta mais bonita. Na verdade, não se conhecia orquídea no Ceará. Algum tempo depois que cheguei aqui (em 1955), encontrava pessoas nas ruas vendendo <em>Cattleya labiata</em>, que chamavam de &#8220;parasitas&#8221;. O primeiro orquidário que conheci, quando ainda era muito jovem, com 16 ou 17 anos, foi na Fazenda Venezuela, na Serra de Guaramiranga. Ali se cultivavam, inclusive, orquídeas de outros Estados e não somente as da serra.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- Quando você começou a cultivar orquídeas?</p>
<p><strong>WLL</strong> &#8211; Nessa época, comecei a gostar de orquídeas e construí, no quintal de minha casa, um pequeno orquidário, iniciando com algumas <em>Cattleya labiata</em>. Já se falava, então, na destruiçã das matas e, preocupado, reuni um grande número de plantas dessa espécie, chegando a ter 10 mil labiatas. Mais tarde, abandonei um pouco essa atividade, por conta da pressão de ter que trabalhar.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; O gosto pelas orquídeas levou você a optar pelo curso de Agronomia?</p>
<p><strong>WLL</strong> &#8211; Eu sempre vivi junto à natureza. Nasci em Belém do Pará mas fui, muito cedo, morar no Recife. Não gostava de ficar dentro de casa. Saía para a praia ou ía pescar ganhamum, siri, pitu, no mangue próximo. Sempre fui assim e, ainda hoje, onde gosto de estar é no meio do mato. Foi esse amor à natureza que me fez optar pela Agronomia.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Com relação às orquídeas, existe alguma que seja de sua especial preferência?</p>
<p><strong>WLL</strong> &#8211; Sim, a <em>Cattleya labiata</em>. É uma flor que tem boa durabilidade, tem um perfume todo especial, é muito resistente e é a única orquídea de flor grande que temos no Ceará, aparecendo nas serras de Maranguape, Uruburetama e Meruoca, assim como naqueles Estados do Nordeste onde existe Mata Atlântica. Mas nossas melhores labiatas já foram levadas, há dezenas de anos, para o Sul do País. Hoje, é muito raro encontrar uma planta rara, bonita, uma semi-alba por exemplo. Uma alba é quase impossível. As mais belas que nós temos são as de Uruburetama: bem feitas, perfumadas e as que têm tonalidade mais forte. As de Maranguape e da Meruoca são mais claras. Um detalhe é que não se trata de uma planta definida na natureza. Se você planta as sementes, pode dar diversas variedades.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; O que um orquidófilo principiante pode plantar, no Ceará, com a certeza de que vai florir?</p>
<p><strong>WLL</strong> &#8211; Em primeiro lugar, a <em>Cattleya labiata</em> e outras nativas nossas. Depois, as flores asiáticas, que floram várias vezes por ano e são bonitas, embora não tenham perfume.</p>
<p><strong>ACEO </strong>- O que você aconselha como práticas saudáveis de cultivo de orquídeas? O que diria a quem está começando?</p>
<p><strong>WLL</strong> &#8211; Em primeiro lugar, aconselharia a buscar orientação de uma pessoa que já cultiva há algum tempo. A orquídea gosta de luminosidade, de umidade. Umidade é fundamental, com muita luz. Sabemos se a planta está recebendo a luminosidade adequada pela cor da folha. As folhas da <em>Cattleya labiata</em> são de um verde claro. Se elas estão com um verde escuro, é porque está recebendo pouca luz ou está sendo adubada com nitrogênio, que deixa a folha verde, bonita, mas que não leva a planta a florar. No mais, é evitar o excesso de vento. Como a raiz é aérea, com muito vento ela resseca.</p>
<p><strong>ACEO</strong> &#8211; Agora uma pergunta ao paisagista e cultivador de plantas ornamentais: quais os segredos para se ter um belo jardim?</p>
<p><strong>WLL </strong>- Primeiro, ter poucas plantas, mas bem cuidadas. Não precisa ter muita planta. E evitar aquelas originárias do Sul do País, como pinheiros, bambus&#8230; Se você quer ter plantas com flores, tem que ter sol. Um gramado bonito, verde, bem cortado, bordaduras bem feitas, é importante. Colocar grupos de plantas, aqui e ali, com tonalidades diferentes. E tem que gostar de cuidar do jardim. A grama deve ser molhada no final do dia. Já os vasos de flores devem ser molhados no meio do dia. Durante a noite, a planta vai fazer uma troca gasosa no sistema radicular e, se estiver encharcada, as raízes terminam apodrecendo. Na adubação, usar humus de minhoca em cobertura, jamais misturá-lo. Plantar na areia e colocar o humus por cima. Na medida em que ele for dissolvendo, vai descendo.</p>
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